sábado, 8 de novembro de 2014

MARIA TEMPLO DA SANTÍSSIMA TRINDADE


Como templo da Santíssima Trindade, Maria, em sua humanidade puríssima, experimentou, como mulher, os efeitos do mistério eterno da unidade trinitária em seu seio, em sua alma, em todo o seu ser.
São Luís de Montfort afirma que “Maria é o Santuário, o repouso da Santíssima Trindade, em que Deus está mais magnífica e divinamente presente que em qualquer outro lugar do universo”. Como tabernáculo vivo da Trindade, segundo a Liturgia Oriental, suas entranhas foram feitas maiores do que o céu, porque nelas coube o próprio Deus, e com Ele o céu inteiro.
Guardadas as proporções, foi esta a grande experiência espiritual de Elisabeth da Trindade, que exclama: “Fixai-me em vós imóvel e tranqüila, como se minha alma estivesse já na eternidade. Fazei de minha alma vosso céu, vossa morada preferida”. Se Elisabeth da Trindade fez esta oração, qual não seria a oração de Nossa Senhora? Seria este o segredo, a alegria expressa no Magnificat?
Nossa Senhora foi criada para ser a morada preferida de Deus e pôde unir-se como ninguém à dinâmica de amor das três pessoas da Trindade, que, também nela, na terra como no céu, viveram e vivem sua dinâmica de dar-se e receber um ao outro absoluta e totalmente, sendo perfeitamente um só Deus. Maria foi e é, assim, templo da Unidade mais perfeita do qual jorra a fonte de toda unidade: a Santíssima Trindade, as três pessoas distintas na perfeita unicidade: um só Deus.
Maria contempla em si e diante de si o dinamismo da perfeita unidade. Que efeitos terá gerado esta vivência única em Nossa Senhora? A perfeita união com Deus; a unidade consigo mesma; e a promoção da unidade no coração do homem e na humanidade inteira.
Dom Adélio comentou rapidamente que deveríamos ver Nossa Senhora não somente como alvo de uma devoção ou um degrau para chegar a Jesus, mas como alguém efetivamente atuante na nossa Salvação.
Dom Aloísio explica como Maria foi e é efetivamente atuante no Antigo e Novo Testamento e na Igreja nascente. Ela é efetivamente atuante ainda hoje. E hoje, mais do que nunca, ela é promotora da unidade e da paz, na Igreja de seu Filho e na humanidade inteira.
Católicos, Ortodoxos, e mesmo Muçulmanos, reconhecem Maria, veneram-na e a honram, quer como a Mãe de Deus, quer como, no caso dos Muçulmanos, a única criatura além do seu Filho que não foi educada por Satanás. Em Maria, a “religio”, a religação, o relacionamento entre o céu e a terra, completa-se de modo perfeito. Ela é o “lugar teológico” por excelência da religião.
No pontificado de João Paulo II, como ele mesmo não se cansa de declarar, “a Mãe da Salvação” tem atuado de forma maravilhosa na acepção mesma do termo. Queira Deus que nós tenhamos a mesma fé e a mesma intimidade com Maria que tem o nosso Papa!
Infelizmente, de um modo geral, não temos intimidade espiritual com Maria. Ou ela é um “Modelo Moral” cujas virtudes devemos imitar, ou é alguém de quem somos devotos, a quem oferecemos rosários e novenas para que consiga de Deus as coisas para nós. Nosso coração, no entanto, deve inclinar-se para ela “pelo amor e a oração” (ECCSh), “pois o verdadeiro devoto não ama a Maria porque ela lhe faz ou espera dela algum bem, mas porque ela é amável” (São Luís Montfort).
Nossa Senhora está viva de corpo e alma no céu. Podemos e devemos alimentar nosso amor, trato de amizade e intimidade com ela. Ela levou, como Jesus ressuscitado, nossa humanidade para o céu. Como disse D. Aloísio, a Rainha do céu está muito acima, infinitamente acima, de todos os anjos e santos, à direita do Pai, na humanidade de Jesus e na sua própria humanidade. A Mãe de todos os homens está no céu em sua humanidade gloriosa como mulher. É como mulher que ela faz a mediação da unidade e a promove.
Jesus disse: o meu Pai até agora está trabalhando, e eu também estou trabalhando (Jo 5,17). Pelo Espírito Santo, que o Pai enviou, a Igreja trabalha e sofre, continuando a Obra de Cristo. Pelo Espírito Santo, Maria trabalha e sofre até agora, como sempre Virgem e Mãe de Deus, e como Mãe da Igreja e Mãe de Deus.
Seu maior trabalho, unido ao Espírito Santo e impulsionada por Ele, cuja atividade de amor ela contempla e abriga em si: que os homens se amem uns aos outros, que sejam um como o Filho e o Pai são um: na dinâmica troca gratuita e total de amor, sem impedimentos e barreiras. São Luís de Montfort afirma que “a mais forte inclinação de Maria é unir-nos ao seu Divino Filho”.
Maria trabalha pela unidade como Virgem e Mãe de Deus
 Como Virgem (antes, durante e depois do nascimento de Jesus), Maria é unificada em si mesma e é toda de Deus. Seu coração não se divide com nenhuma criatura e, de coração indiviso, une-se inteiramente a Deus, de corpo e alma. Como Virgem e Mãe de Deus sua união a Ele leva a permanecer em contínua oração e adoração da Trindade, em si, e na Trindade mesma que contempla. A Virgem e Mãe de Deus viveu perfeitamente o “Assim na terra como no céu”. Como Virgem e Mãe de Deus está na Trindade inteiramente e a Trindade inteiramente nela, sem divisões.
Maria Virgem e Mãe de Deus promove em nós, com sua mediação eficaz, sendo nossa humanidade no céu: 1- a unidade com Deus, por ser inteiramente dele; 2- a unidade consigo própria, pois esta acontece somente naquele para quem Deus é tudo e que, portanto, é todo de Deus; 3- a unidade com o irmão, pois todos os homens se tornam filhos de quem é casto. Quem é virgem, quem é casto, é também pobre de si e rico de Deus. Quem é pobre de si não tem medo de amar o outro, para ele o outro não é ameaça. Não põe barreiras ao amor de Deus, nem do irmão. Porque é todo de Deus e nada tem de si mesmo, é também todo do irmão. Em sua virgindade e castidade Maria é toda nossa.
Maria promove a unidade como Esposa e Mãe de Deus
A esponsalidade de Maria com o Pai (pela paternidade), com o Filho (pelo desponsório espiritual) e com o Espírito Santo (pela geração de Jesus) a faz, como vimos, íntima e para sempre, espiritual e humanamente, unida a cada pessoa da Trindade. Maria não se une a estas pessoas pelo que fazem nela, mas pelo que São nela. Nela Deus é Pai; nela Deus é Filho; nela Deus é Esposo; nela Deus é Uno e Trino.
Sem Maria, Deus não seria Pai, nem Filho, nem Esposo. No Antigo Testamento Deus agiu como Pai e algumas poucas vezes foi reconhecido como tal. Deus revelou-se em Israel, que o traía e adulterava. Deus prometeu o Messias. Mas somente em Maria e com Maria, Deus foi, pela união íntima com sua criatura, Pai, Filho e Esposo. Por outro lado, sem Jesus, nem Maria nem nós seríamos filhos no Filho, e chamados à união esponsal mística com Deus, Uno e Trino.
Maria, Esposa e Mãe de Deus, possibilitou assim a unidade da humanidade com cada pessoa da Santíssima Trindade. E hoje, no céu, com sua mediação, promove a unidade da humanidade e de cada homem com Deus.
Maria ministra a unidade como Mãe de Deus e Mãe da Igreja
A maternidade está intrinsecamente ligada à vida e à alegria. No entanto, está também intrinsecamente ligada à dor e à morte para si mesmo. Maria tornou-se Mãe da Igreja no auge da dor, e, portanto, no cume do amor, pois a cruz foi o auge de sua renúncia a Jesus e a si mesma.
A Jesus, ela deu a luz sem dor, mas à Igreja ela deu a luz no ápice da dor. A maternidade de Jesus foi fruto da ação do Espírito Santo em suas entranhas humanas, e, no entanto, Ele veio à luz sem dor e sem o rompimento natural do parto; a maternidade da Igreja foi fruto da ação do Espírito Santo nas entranhas do seu Espírito e, no entanto, a Igreja veio à luz em meio a maior das dores.
Maria gestou a Igreja junto com Jesus, pois nunca haverá a menor sombra de separação entre eles, seja em pensamento, sentimento, vontade ou história. Maria sempre foi profundamente unida a Jesus e gestou com seu Filho, Fundador e Cabeça da Igreja, cada discípulo, sendo presença de Mãe. Talvez não compreendesse totalmente que a maternação da Igreja supusesse a dor da morte de Jesus, que a consola entregando-a ao mais querido dos discípulos. Maria ministrou a unidade e a paz na Igreja pelo sofrimento do amor, pela renúncia do sacrifício. Jesus foi o preço desta maternidade.
Hoje, Maria promove a unidade na Igreja, a unidade entre os irmãos, seus filhos, pelo nosso amor e sacrifício unidos àquele seu lancinante sacrifício de renúncia e oferta do próprio Filho. Foi ela a primeira a completar na própria carne o que faltou ao sofrimento de Cristo em favor da sua Igreja.
Não é possível haver unidade entre nós sem grande sacrifício de sim unido ao sacrifício de Jesus e de Maria. O sacrifício de sim separado de Jesus e de Maria é estéril. Mas, unido ao sacrifício deles dois e à virgindade, esponsalidade e maternidade de Maria, é fecundo, promotor da unidade e da paz. Mergulha-nos abismos do silêncio de Deus, da obediência que tanto Jesus como Maria (como nós) aprenderam pelo sofrimento (cf. Hb 5). Mergulha-nos na unidade de quem se esquece de si mesmo para perder-se em Deus, fonte de todo bem, de toda unidade, de toda paz.
Maria promove a unidade como mulher
Não há como separar a maternidade da mulher, nem a mulher da maternidade. Na nossa caminhada para a intimidade e a amizade com Maria, devemos ter em conta que ela é mulher e que, como mulher, está ressuscitada no céu com seu corpo glorioso, mas feminino, no seu modo de ser, de pensar e de agir. Maria agiu, age e agirá sempre, no céu e na terra, segundo a mente e os sentimentos de Cristo, mas como mulher, em sua “gratuidade irradiante de mãe, na sua reciprocidade e antecipação de esposa, na sua acolhida fecunda de virgem”, como diz Bruno Fort. É, portanto, também como mulher que ela promove a unidade.
Foi como mulher que Maria reagiu ao anúncio da gravidez de Isabel indo ajudá-la imediatamente. Podemos imaginá-la feliz por vivenciar a maternidade da prima e por poder servi-la como fazem as mulheres de Deus, como fazem as mães em sua “gratuidade irradiante”.
Foi sua “lógica de mulher” que se manifestou em Caná, não só ao notar que faltava vinho, mas especialmente no modo como agiu com relação a Jesus e aos serventes. Maria foi aí “antecipação e reciprocidade”, como a esposa descrita por Bruno Fort.
Foi como mulher e Mãe de Deus que Maria foi formada pelo seu Filho no reencontro no templo e à porta da casa de Pedro. No primeiro caso, Ele lhe obedeceu e respeitou sua afeição de mãe, voltando para casa. No segundo, ela o compreendeu, em “acolhida profunda” de virgem…
Foi sua personalidade feminina e, portanto, materna que a fez ficar de pé diante da cruz, não somente pela extraordinária graça de fidelidade e fortaleza, mas pelo esforço em ficar o mais próximo possível, o mais visível possível ao Filho, a quem consolava e cuja agonia acompanhava. Foi ainda como mulher que ela abrigou-se na casa de João que, sendo discípulo amado de Jesus, era certamente também dela. Jesus sabia bem que o que faz uma mulher sentir-se segura é o amor e não a força. Foi a mulher e Mãe que manteve os discípulos unidos e reunidos à esposa do Paráclito. Ela era a mulher do Ressuscitado, a mãe do Filho de Deus, “um pedaço dele”. Foi a mulher, Mãe de Deus, que foi assunta ao céu e colocada acima de todos, abaixo somente da Trindade. É como mulher e Mãe que ela, a intercessora onipotente, trabalha até agora para promover a unidade.
Eis por que é tão grande nossa responsabilidade com relação à mulher e à mãe. Dirijo-me aos homens e às mulheres. Nós – homens e mulheres – perdemos a noção do papel da mulher com relação a Deus e à humanidade. A causa é que nos colocamos diante de nós mesmos e dos nossos anseios, e não diante de Deus e dos seus planos para nós, como homens, como mulheres, como famílias, sejam famílias religiosas ou institucionais.
Um dos principais papéis da mulher, em qualquer época da história, é, sem dúvida, ser disponível a Maria para a instauração da unidade e da paz através da sua maternidade e feminilidade. Onde a mulher não cumpre este papel, a instauração do Reino de Deus não se cumpre plenamente.
Maria “trabalha ainda hoje” pelo amor e poder de Deus que a escolheu e lhe deu uma missão que durará até a segunda vinda de Jesus. Ela, como a Esposa de Deus, no Espírito Santo, trabalha em nós, pela intimidade, amor e amizade conosco, e através de nós, que queremos responder positivamente a esta amizade.

                                                   Por Maria Emmir Oquendo Nogueira


Fonte: Comunidade Shalom

sábado, 1 de novembro de 2014

AVE MARIA



1 - HISTÓRIA DA AVE MARIA
2 - A ORAÇÃO MAIS ANTIGA FEITA A MARIA
3- ANÁLISE BÍBLICA DA AVE MARIA

3.1- A INTERCESSÃO DOS SANTOS NO ANTIGO TESTAMENTO E A NOÇÃO DE MORTE.  
3.2-O TERMO SANTO NO NOVO TESTAMENTO
3.3- AVE-MARIA PARTE POR PARTE
4- REZAR E ORAR

5- VENERAÇÃO, E NÃO ADORAÇÃO
6- TEXTOS DA AVE MARIA AO LONGO DA HISTÓRIA

1- A ORAÇÃO MAIS ANTIGA FEITA A MARIA: “À vossa proteção recorremos Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas Em nossas necessidades, Mas livrai-nos sempre de todos os perigos, Ó Virgem gloriosa e bendita!”. 
A oração “Sub tuum praesidium” (À vossa proteção) é a mais antiga oração a Nossa Senhora que se conhece. 
 Encontrada num fragmento de papiro, em 1927, no Egito, remonta ao século III. 

Tem uma excepcional importância histórica pela explícita referência ao tempo de perseguições dos cristãos (Estamos na provação e Livrai-nos de todo perigo) e uma particular importância teológica por recorrer à intercessão de Maria invocada com o título de Theotókos (Mãe de Deus).
 Este título é o mais importante e belo da Virgem Santíssima. Já no século II era dirigido a Maria e foi objeto de definição conciliar em Éfeso em 431. O texto primitivo do qual derivam as diversas variações litúrgicas (copta, grega, ambrosiana e romana) é o seguinte: Sob a asa da vossa misericórdia nós nos refugiamos, Theotókos; não recuse os nossos pedidos na necessidade e salva-nos do perigo: somente pura, somente bendita.
2- HISTÓRIA DA AVE MARIA: “A Ave-Maria traz em si a marca de muitos séculos e de muitas mãos que a compuseram um pouco por vez. A Igreja ousa repetir o texto evangélico, completando-o ou modificando-o, e imediatamente depois ( na parte da Santa Maria) manifesta a necessidade de apoiar-se em Maria nas dificuldades que encontra para ser fiel a Cristo: a figura de Maria nas catacumbas de Priscila (fim do século II) e na igreja de Santa Maria Antiqua (ambas em Roma), e a invocação gravada no muro da casa de Maria em Nazaré mostram como, desde o princípio de sua história, a Igreja aprendeu a buscar Maria ao lado de Cristo” .
Somente em 1568, portanto quinze séculos após o advento do Cristianismo, a Ave-Maria foi oficialmente aprovada pela Igreja, mas o culto e a oração a Maria existe desde os primeiros séculos e foi crescendo gradativamente, como vemos no registro encontrado no papiro do séc III. Na verdade, desde 1568, quase nada mudou no texto oficial da oração da Ave Maria. As alterações, portanto, aconteceram principalmente antes desse reconhecimento. 
A Ave-Maria se impôs ao Cristianismo como a porta de acesso à Virgem Maria, a suprema intercessora dos cristãos.  O primeiro documento escrito em que aparece o uso da saudação do anjo é a Homilia de um certo Theodoto Ancyrani, falecido antes do ano 446. Nela é explicitamente afirmado que, impelidos pelas palavras do anjo, dizemos: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo”.
Quanto à saudação de Santa Isabel, aparece ela unida à do anjo por volta do século V. As duas saudações conjugadas já se encontram nas liturgias orientais de São Tiago (em uso na Igreja de Jerusalém), de São Marcos (na Igreja Copta) e de São João Crisóstomo (na Igreja de Constantinopla). Na Igreja latina, entretanto, as referidas saudações aparecem pela primeira vez unidas aproximadamente noséculo VI, em obras de São Gregório Magno.
O nome Maria foi acrescentado às palavras do anjo, no Oriente, por volta do século V, segundo parece, na liturgia de São Basílio; no Ocidente, porém, parece que isto ocorreu aproximadamente no século VI, figurando numa das obras de São Gregório Magno, o Sacramentário Gregoriano.O nome Jesus foi acrescido às palavras de Santa Isabel provavelmente um século depois, no Oriente, figurando pela primeira vez em certo Manual dos Coptas, talvez no século VII; no Ocidente, todavia, o primeiro documento que registra o nome do Redentor é a Homilia III sobre Maria, mãe virginal,de Santo Amedeo, Bispo de Lausanne (Suíça) (aproximadamente em 1150), discípulo de São Bernardo. Nos mencionados documentos, ao nome Jesus encontra-se adicionada a palavra Christus. A segunda parte da prece (Santa Maria, etc.), a súplica, já era empregada na Ladainha dos Santos. 
Em determinado código do século XIII, da Biblioteca Nacional Florentina, que já pertencera aos Servos de Maria do Convento da Beata Maria Virgem Saudada pelo Anjo, em Florença, lê-se esta oração: “Ave dulcíssima e imaculada Virgem Maria, cheia de Graça, o Senhor é contigo, bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto de teu ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, mãe da graça e da misericórdia, rogai por nós agora e na hora da morte. Amém." Nesta fórmula, faltam somente dois vocábulos: [nós] pecadores enossa [morte]. A fórmula precisa da Ave Maria, como é rezada hoje, encontra-se pela primeira vez no século XV, no poema acróstico do Venerável Gasparini Borro, O.S.M. (+ 1498). A segunda parte da Ave Maria foi sempre rezada em caráter privado pelos fiéis até o ano de 1568, quando o Papa São Pio V promulgou o novo Breviário Romano, no qual figura a fórmula do referido Venerável Gasparini Borro, sendo estabelecida solenemente sua recitação no início do Ofício Divino, após a recitação do Pai Nosso e prescrita para todos os sacerdotes.  Depois de um século a mencionada fórmula, sancionada pelo Sumo Pontífice, difundiu-se, de fato, em toda a Igreja universal.

3- ANÁLISE BÍBLICA DA AVE MARIA:
As " Igrejas desenvolveram a oração à santa Mãe de Deus, centrando-a na Pessoa de Cristo manifestada em seus mistérios" como diz o Catecismo da Igreja Católica. A oração aos santos e a Maria é possível (Apoc 8,3-4), pois para os cristãos desde os primeiros séculos da Igreja, aqueles que morrem no Senhor vivem para o Senhor e estão diante dele na glória do céu, "Ora, Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos porque todos vivem para Ele” (Lc 20, 37-38) (Fl 1, 21, 23) (Lc 9, 28 ss), (LC 23, 42-43) e estão aguardando o desfecho final da história da humanidade (Apoc 6,9-11) . Diante de Deus, os seus santos são como os anjos no céu (Mt 22, 30), intercedendo pelos homens sem cessar (Apoc 7,13-15) (II Mac 15,12-15), por meio do único mediador da salvação, Jesus, “Porque só há um MEDIADOR” entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem” - (I Timóteo 2:5).

Esse trecho de Timóteo, mal interpretado pelos não católicos, é usado como argumento para dizer que os santos não podem interceder por nós, o que é um erro, pois o que Timóteo quer dizer é que Jesus é o mediador da salvação dos homens, porém por meio dele podemos oferecer nossas orações também (I Timóteo 2:1). Os santos podem interceder por nós, e são nossos mediadores, pois quem ora pelo outro está sendo mediador entre o outro e Deus (Dt 5, 5), (Jer 15, 1 ss).  E o próprio Timóteo diz que "Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações e intercessões e ações de graça em favor de todos os homens"  (I Timóteo 2:1), se podemos orar em vida, também podemos orar na presença do senhor após a morte (Fl 1, 21, 23), (II Mac 15,12-15), (Lc 16, 19 e ss), (Lc 20, 37-38), (Apoc 6,9-11), (Apoc 8,3-4). Até na parábola do rico avarento, Jesus nos mostrou a possibilidade dessa intercessão (Lc 16, 19 e ss).
A mediação de Maria e dos santos é possível (II Mac 15,12-15), assim como é possível que oremos por nossos irmãos na terra(Tgo 5, 16), (I Tm 2, 1-5) .  No antigo Testamento, já vemos sinais dessa possibilidade, só completa com a redençao de Cristo e sua entrada no céu: "E o Senhor disse-me: ainda que Moisés e Samuel se pusessem diante de mim, a minha alma não se inclinaria para este povo; tira-os da minha face e retirem-se" (Jer 15, 1 ss). (Dt 5, 5): "Eu fui naquele tempo intérprete e mediador entre o Senhor e vós". "Tomai sete touros... e ide a meu servo Job... e meu servo Job orará por vós e admitirei propício a sua face" (Job 42, 8) Onias (…) estava com as mãos estendidas, INTERCEDENDO por toda a comunidade dos judeus. Apareceu a seguir um homem notável (…) Esse é aquele que MUITO ORA pelo povo e por toda cidade santa, é Jeremias, o Profeta de Deus.” (2Mac 15,12-14).

 3.1- A INTERCESSÃO DOS SANTOS NO ANTIGO TESTAMENTO E A NOÇÃO DE MORTE. 

Muitos não católicos usam passagens do Antigo testamento para afirmar que os mortos não podem orar por nós: “Os mortos não louvam ao Senhor, nem os que descem a sepultura” - Salmos 115:17. “Porque não pode louvar-te a sepultura, nem a morte glorificar-te; nem esperarão em tua verdade os que descem à cova” - Isaías 38:18.   Esquecem que a própria teologia bíblica é um processo evolucional, e que o Novo Testamento, com Cristo, rompe o que era velho, o Antigo testamento. Cristo aperfeiçoou os ensinamentos do Antigo Testamento, e abriu para nós o reino dos céus, o Paraíso ( Lc 23, 43). A noção de morte no Antigo Testamento é outra que a proposta pelos cristãos. Apesar disso, há alguns trechos que assinalam a noção de vida consciente após a morte e de intercessão deles : "E o Senhor disse-me: ainda que Moisés e Samuel se pusessem diante de mim, a minha alma não se inclinaria para este povo; tira-os da minha face e retirem-se" (Jer 15, 1 ss).  "Dá de boa vontade a todos os vivos, e não recuses este benefício a um morto" ( Eclo 7,37 ). Mas as almas dos justos estão na mão de Deus, e nenhum tormento os tocará. (Sabedoria 3,1). Em II Mac 15,12-15 lemos: "Parecia-lhe (a Judas Macabeu) que Onias, sumo sacerdote (já falecido!)... orava de mãos estendidas por todo o povo judaico... Onias apontando para ele, disse: "Este é amigo de seus irmãos e do povo de Israel; é Jeremias (falecido!), profeta de Deus, que ora muito pelo povo e por toda a cidade santa". 

 "Em seguida, fez uma coleta, enviando a Jerusalém cerca de dez mil dracmas, para que se oferecesse um sacrifício pelos pecados: belo e santo modo de agir, decorrente de sua crença na ressurreição, porque, se ele não julgasse que os mortos ressuscitariam, teria sido vão e supérfluo rezar por eles. Mas, se ele acreditava que uma bela recompensa aguarda os que morrem piedosamente, era esse um bom e religioso pensamento; eis porque ele pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres de suas faltas" ( II Mac 12, 43-46). A morte para os cristãos é o encontro com Cristo, como nos diz São Paulo ( II Cor 5,1). Os mortos são seres conscientes para os cristãos ( I Pe 3, 18-19 ; 4, 6 ). Com a morte somos julgados imediatamente (Hb 9,27) ( RM 14,10) (II Cor 5, 10) e vamos para o céu ou para o inferno(Lc23,42), (Mt 25,34), (Mt 25,41). 
Os que ainda não estão totalmente puros ( Sl 14 ; Hb 12, 22-23 ; Mt 5,8)  para entrarem no céu, e ainda devem expiar algum pecado (I Cor 3, 10-15), (pois cada pecado tem sua consequência e Deus perdoa nosso pecado, mas devemos pagar de alguma forma pelo erro que cometemos), ficam em Purificação, o Purgatório ( Mt 12, 32), (I Cor 3, 10-15), ( II Mac 12, 43-46), ( I Cor 15,29 ) . Assim, no cristianismo, a morte é uma passagem para o céu e todos os que estão no céu podem orar pelos que estão na terra, já que "Na ressurreição, os homens não terão mulheres nem as mulheres, maridos; mas serão como os anjos de Deus no céu." (Mt 22,30).
 Apesar de ainda estarem esperando a ressurreição, os homens e mulheres justos, já estão na presença de Deus (Apoc 7,13-15) , esperando pelo desfecho final da história humana (Apoc 6,9-11) , assim , sendo como os anjos, intercedem por nós continuamente (Apoc 8,3-4) ,(Mt 18,10).

3.2 - O TERMO SANTO NO NOVO TESTAMENTO
No começo da Igreja, o termo santo era usado para todos os fiéis em Cristo: “E aconteceu que, passando Pedro por toda a parte, veio também aos santos que habitavam em Lida”- Atos 9:32“Comunicai com os santos nas suas necessidades, segui a hospitalidade” - Romanos 12:13. “Mas agora vou a Jerusalém para ministrar aos santos” - Romanos 15:25. “Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, aos santos que estão em Éfeso, e fiéis em Cristo Jesus” - Efésios 1:1. “Aos santos e irmãos fiéis em Cristo, que estão em Colossos: Graça a vós, e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo” - Colossenses 1:2. “Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” - Judas 1:13.
Porém, com o tempo, principalmente com as perseguições aos Cristãos em Roma, nos primeiros séculos, que colocou muitos em provação, o termo santo passou a ser um título de honra, aos que perseveravam na fé e davam seu testemunho, aceitando a morte sem negar o Cristo. Assim, os cristãos entenderam que ser santo, não é apenas ser batizado e sim perseverar na fé, dando testemunho, como nos diz a própria escritura: "Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus (Mt 7,21). Direis então: Comemos e bebemos contigo e tu ensinaste em nossas praças. Ele, porém, vos dirá: Não sei de onde sois; apartai-vos de mim todos vós que sois malfeitores. (Lc 13, 26-27). O servo que, apesar de conhecer a vontade de seu senhor, nada preparou e lhe desobedeceu será açoitado com numerosos golpes. Mas aquele que, ignorando a vontade de seu senhor, fizer coisas repreensíveis será açoitado com poucos golpes. Porque, a quem muito se deu, muito se exigirá. Quanto mais se confiar a alguém mais se há de exigir." ( Lc 12, 45-48). O dia ( do julgamento ) demonstrá-lo-á. Será descoberto pelo fogo; o fogo provará o que vale o trabalho de cada um. Se a construção resistir, o construtor receberá a recompensa. Se pegar fogo, arcará com os danos. Ele será salvo, porém passando de alguma maneira através do fogo" ( I Cor 3, 13-15). Assim, a morte é o ponto decisivo , nesse momento comparecemos diante de Deus (Hb 9,27) ( Rm 14,10) (II Cor 5, 10)e recebemos o que fizemos em vida ( II Cor 5,10), se fizemos o bem vamos para o céu (Lc23,42), (Mt 25,34), se o mal para o inferno (Mt 25,41). Quando morremos, se formos bons, vamos imediatamente para o céu (Lc 23,43) , ( II Cor 5,1), por isso muitos santos desejavam a morte como um encontro com Cristo ( II Cor 5,8). Logo, após a morte é que podemos afirmar de fato se uma pessoa foi santa de verdade ou não, pois é depois que alguém morre que descobrimos toda a verdade sobre a vida dela. Assim, com o tempo, o termo santo se tornou um título dado aos que vivem sua fé com heroísmo, evitando o pecado, praticando o Evangelho, sendo um exemplo para os demais cristãos.

3.3- AVE-MARIA PARTE POR PARTE
Assim, sendo respalda na tradição e na Bíblia, a oração a Maria encontrou uma expressão privilegiada na oração da Ave-Maria: Oração privilegiada por ser em parte bíblica e em parte fruto da tradição, assim uniu os dois pilares da nossa Igreja, com a aprovação do magistério (Papa e bispos em concílio), outro pilar.

1- "Ave, Maria (alegra-te, Maria)." (Lc1,28).

A saudação do anjo Gabriel abre a oração da Ave-Maria.
 É o próprio Deus que, por intermédio de seu anjo, saúda Maria. 
Nossa oração ousa retomar a saudação de Maria com o olhar que Deus lançou sobre sua humilde serva, alegrando-nos com a mesma alegria que Deus encontra nela.
Alguns usam Salve Maria em muitas orações, pois acham errado dizer Ave, pois era uma saudação romana, mas  quando a Bíblia foi traduzida para o latim, São Jerônimo utilizou a forma romana.
Dizer Ave ou Salve, hoje , para nós não há muita diferença, já que são saudações que caíram em desuso, porém por séculos a oração ficou conhecida como Ave Maria.


2- "Cheia de graça, o Senhor é convosco." (Lc1,28). As duas palavras de saudação do anjo se esclarecem mutuamente. Maria é cheia de graça porque o Senhor está com ela.  A graça com que ela é cumulada é a presença daquele que é a fonte de toda graça.
 "Alegra-te, filha de Jerusalém... o Senhor está no meio de ti" (Sf 3,14.17a). Maria, em quem vem habitar o próprio Senhor, é em pessoa a filha de Sião, a Arca da Aliança, o lugar onde reside a glória do Senhor: ela é "a morada de Deus entre os homens" (Apoc 21,3).  "Cheia de graça", e toda dedicada àquele que nela vem habitar e que ela vai dar ao mundo.


3- "Bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus." (Lc1,41). Depois da saudação do anjo, tornamos nossa a palavra de Isabel. "Repleta do Espírito Santo" (Lc 1,41), Isabel é a primeira na longa série das gerações que declaram Maria bem-aventurada': "Feliz aquela que creu..." (Lc 1,45): Maria é "bendita entre as mulheres" porque acreditou na realização da palavra do Senhor. Abraão, por sua fé, se tomou uma bênção para "todas as nações da terra" (Gn 12,3).  Por sua fé, Maria se tomou a mãe dos que creem (Apoc12,17) (Jo 19, 26-27), porque, graças a ela, todas as nações da terra recebem Aquele que é a própria bênção de Deus: "Bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus".

4-  "Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós..." 

Com Isabel também nós nos admiramos: "Donde me vem que a mãe de meu Senhor me visite?" (Lc 1,43). Porque nos dá Jesus, seu filho, Maria é Mãe de Deus e nossa Mãe; podemos lhe confiar todos os nossos cuidados e pedidos: ela reza por nós como rezou por si mesma: "Faça-se em mim segundo a tua palavra" (Lc 1,38). Confiando-nos à sua oração, abandonamo-nos com ela à vontade de Deus: "Seja feita a vossa vontade".
 Maria é Mãe de Deus, pois foi de Maria que nasceu Jesus (Mt 1, 16) (Gal 4,4) , o nosso Senhor (Lc1,43), Filho de Deus (Lc1,35) eDeus (Jo 1,1), (Jo 5,18) com o Pai e o Espírito Santo (Mt 28,19). Maria é Mãe de Deus, pois Jesus não é metade homem e metade Deus, Ele é Deus e homem ao mesmo tempo. Maria é Mãe no sentido de ter gerado em seu ventre e em seu coração Jesus, nosso Senhor e Deus.  


5- "Rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte". Já foi explicado mais acima a intercessão dos santos na Bíblia. Assim, pedindo a Maria que reze por nós, reconhecemo-nos como pobres pecadores e nos dirigimos à "Mãe de misericórdia"  ( Jo 2,3),  à Toda Santa (Lc 1,28).  Entregamo-nos a ela "agora", no hoje de nossas vidas. E nossa confiança aumenta para desde já entregar em suas mãos "a hora de nossa morte", pois nessa hora compareceremos diante de Deus (Hb 9, 27) para sermos julgados. Que ela esteja então presente, como na morte na Cruz de seu Filho, e que na hora de nossa passagem ela nos acolha como nossa Mãe (Jo 19,27) , para nos conduzir a seu Filho, Jesus, no Paraíso, pois o seu pedido é poderoso (Jo 2, 3ss).


4 - REZAR E ORAR

A piedade medieval do Ocidente desenvolveu a oração do Rosário como alternativa popular à Oração das Horas. O rosário é uma oração vocal, resumo do Evangelho, pois medita toda a vida de Jesus e Maria, seus mistérios gozosos, dolorosos, luminosos e gloriosos. Rezar o rosário é rezar a Bíblia, pois ele é composto, quase que completamente de orações evangélicas o Pai-nosso (Mt 6,9-13), a Ave Maria ( Lc 1,28. 42.) e o Glória ao Pai (Lc 2, 14). Rezar , do latim recitare, que também deu em português recitar. Já em latim, os verbos orare recitare têm sentidos muito próximos: o primeiro significa “pronunciar uma fórmula ritual, uma oração, uma defesa em juízo”; o segundo, “ler em voz alta e clara”(portanto, o mesmo que em português recitar). Entretanto, para orare prevaleceu na latinidade e nas línguas românicas o sentido de rezar, isto é, dizer ou fazer uma oração ou súplica religiosa (cfr. A. Ernout–A. Meillet, Dictionnaire étymologique de la langue latine — Histoire des mots, Klincksieck, Paris, 4ª ed., 1979, p. 469). 

Nós, católicos, damos ao verbo rezar um sentido bastante amplo e genérico, e reservamos a palavra oração mais especialmente — mas não exclusivamente — para os diversos gêneros de oração mental, como a meditação, a contemplação etc. Não há razão, portanto, para fazer dessa ligeira diferença, comum nos sinônimos, um tema de disputas. Alguns não católicos dizem que “não devemos orar repetidas vezes”, e apelam para a Bíblia, a passagem do  Evangelho de São Mateus (6,7): “Nas vossas orações, não queirais usar muitas palavras, como os pagãos, pois julgam que, pelo seu muito falar, serão ouvidos”. A interpretação deste texto de São Mateus não é, entretanto a que os protestantes lhe dão. 
Ele significa simplesmente que a eficácia da oração não decorre da loquacidade ( palavras bonitas para convencer a Deus), mas sobretudo das boas disposições do coração. As disposições sendo boas, em princípio, quanto mais se reza melhor! Até porque rezar é repetir uma fórmula, mas o que muda é o porque se reza, como se reza, com que intenção, com que desejo, com que pensamento. Além do mais, como judeu, Jesus aprendeu a rezar muitos salmos (Mt 26,30), e participou de muitas cerimônias judaicas e no Evangelho não consta que Ele fosse contra elas, muito pelo o contrário ele mesmo frequentava o Templo de Jerusalém. Os próprios não católicos quando cantam um hino  estão rezando, pois ninguém inventa uma canção do nada. E o próprio Jesus Cristo, Nosso Senhor, deu o exemplo de uma oração longa e repetitiva no Horto das Oliveiras, quando, prostrado com o rosto em terra, rezou por mais de uma hora, dizendo:  "Pai, se é possível, afaste-se de mim este cálice; mas não se faça a minha vontade, e sim a vossa." ( Mt 26, 39-44; Lc 22, 41-45). Jesus orou por três vezes com as memas palavras, usando uma fórmula, porém o que contava era a intensidade com que ele dizia essas palavras: "Deixou-os e foi orar pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras " (Mt 26,44). Quanto à necessidade da insistência na oração, no Evangelho de São Lucas (11, 5-8) se lê a impressionante lição do Divino Mestre: “Se algum de vós tiver um amigo, e for ter com ele à meia-noite, e lhe disser: Amigo, empresta-me três pães, porque um meu amigo acaba de chegar a minha casa de viagem, e não tenho nada que lhe dar; e ele, respondendo lá de dentro, disser: Não me sejas importuno, a porta já está fechada, e os meus filhos estão deitados comigo; não me posso levantar para te dar coisa alguma. E, se o outro perseverar em bater, digo-vos que, ainda que ele se não levantasse a dar-lhos por ser seu amigo, certamente pela sua importunação se levantará, e lhe dará quantos pães precisar”. A reiteração de nossos pedidos a Deus deve pois chegar a esse ponto da importunação, segundo o conselho do mesmo Nosso Senhor.  Maria é orante perfeita, figura da Igreja (Apoc 12). Quando rezamos a ela, aderimos com ela ao plano do Pai  (Lc 1,38), que envia seu Filho para salvar todos os homens. Como o discípulo bem-amado, acolhemos em nossa casa a Mãe de Jesus (Jo 19,27), que se tornou a mãe de todos os vivospois se em Eva, somos filhos do pecado ( Gn 3,20), (Rm 5,12), em Cristo, recebemos vida nova ( Rm 5,19) e Maria é a mãe dessa nova geração de redimidos ( Apoc 12,17). Podemos rezar com ela e a ela.  A oração da Igreja é acompanhada pela oração de Maria, que lhe está unida na esperança.

5- VENERAÇÃO E NÃO ADORAÇÃO 
"Todas as gerações me chamarão bem-aventurada" (Lc 1,48): "A piedade da Igreja para com a Santíssima Virgem é intrínseca ao culto cristão". A Santíssima Virgem "é legitimamente honrada com um culto especial pela Igreja. Com efeito desde remotíssimos tempos, a bem-aventurada Virgem évenerada sob o título de 'Mãe de Deus', sob cuja proteção os fiéis se refugiam suplicantes em todos os seus perigos e necessidades (...) 
Este culto (...) embora inteiramente singulardifere essencialmente do culto de adoração que se presta ao Verbo encanado e igualmente ao Pai e ao Espírito Santo, mas o favorece poderosamente"; este culto encontra sua expressão nas festas litúrgicas dedicadas à Mãe de Deus e na oração Mariana, tal como o Santo Rosário, "resumo de todo o Evangelho.
Ao cultuar  Maria, podemos nos ajoelhar e rezar a ela, pois ajoelhar-se nem sempre quer dizer adorar, mas venerar, mostrar respeito, como vemos o gesto de Abigail diante de Davi: "QUANDO ABIGAIL AVISTOU DAVI, DESCEU PRONTAMENTE DO JUMENTO E PROSTROU-SE COM O ROSTO POR TERRA DIANTE DELE" I SM 25,23. Os Judeus tinham uma veneração pela Arca da Aliança (I Cron 15,28), pois sabiam que nela estava a Palavra de Deus, os dez mandamentos, e um pouco do maná, pão do céu (Hb 9,4) , e consideravam a Arca como um ponto de ligação entre eles e Deus (EX. 25, 18-22), (II Cron 6,41). Do mesmo modo, veneravam o Templo de Jerusalém (I Re 8, 10-11). Ora, Maria, para os cristãos, é a Arca da nova Aliança (Apoc 11,19), já que teve em seu ventre o Verbo (Jo 1, 1), a Palavra de Deus, e o Maná, o Pão vivo (Jo 6,35), Jesus, descido do céu (Jo 6,38), e como não devemos venerá-la? Maria foi e é o Templo perfeito da Trindade (Lc1,35) e como não respeitá-la e amá-la? Os judeus veneravam uma caixa de madeira revestida de ouro (Hb 9,4), (II Cron 6,41) que continha as tábuas da Lei, nós veneramos Maria, que conteve o Criador do Universo, que deu sua carne e seu sangue, para o Todo-Poderoso. Se os judeus tremiam e temiam o poder da Arca (Num 10,35), quanto mais nós não devemos venerar e honrar uma mulher revestida do poder de Deus (Lc1,35), (Lc1,41), (Apo 12 1-2)? Nenhuma mulher será igual a Maria, pois nenhuma será como ela, Filha, Mãe e Esposa de Deus (Lc1,35). Assim ao olhar as imagens (Num 21 8-9) de Maria e orarmos diante delas, nos dirigimos não à imagem e sim àquela que a imagem representa, assim como os israelitas oravam a Deus diante da Arca (Num 7,89), que tinha imagens de anjos ( querubins) (Ex 25,18-22) e oraram diante da serpente de bronze (Num 21 8-9).

6- TEXTOS DA AVE MARIA AO LONGO DA HISTÓRIA 
Há diversas versões e diversas variações da "Ave Maria", principalmente quando associada à arte multimídia, e mesmo em um contexto religioso formal ela não é única.

Versão Bizantina
É a versão mais antiga conhecida, rementendo a alusões do Novo Testamento.
Θεοτόκε Παρθένε, χαῖρε, κεχαριτωμένη Μαρία, ὁ Κύριος μετὰ σοῦ. εὐλογημένη σὺ ἐν γυναιξί, καὶ εὐλογημένος ὁ καρπὸς τῆς κοιλίας σου, ὅτι Σωτήρα ἔτεκες τῶν ψυχῶν ἡμῶν. Theotokos virgem, regozija, Maria cheia em graça, o Senhor é contigo. Bendita és entre as mulheres e bendito é o fruto de teu ventre, pois portas o Salvador de nossas almas.

Versão Católica pré-Tridentina
É a versão latina predominante antes do Concílio de Trento. É a forma ainda mantida por luteranos e anglicanos.
Ave Maria, gratia plena, Dominus tecum. Benedicta tu in muliuribus, et benedíctus frictus ventris tui, Iésus Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco. Bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.

Versão Católico Romana pós-Tridentina
Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco. Bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém.

Em latim
Ave Maria Gratia plena Dominus tecum Benedicta tu In mulieribus Et benedictus Fructus Ventris tui, Jesu Sancta Maria, Mater Dei, Ora pro nobis peccatoribus Nunc et in hora mortis nostrae Amen.

FONTES:

sábado, 25 de outubro de 2014

DEUS POR PAI MARIA POR MÃE


§30. Como na geração natural e corporal há um pai e uma mãe, assim também na geração sobrenatural e espiritual há um pai, que é Deus, e uma mãe, que é Maria.
- Todos os verdadeiros filhos de Deus e predestinados têm a Deus por pai e a Maria por mãe; e quem a não tem por mãe, não tem Deus por Pai.
- Eis porque os réprobos, como os heréticos, os cismáticos etc., que odeiam ou olham com desprezo ou com indiferença a Santíssima Virgem, não têm Deus por pai, ainda que disto se gloriem, porque não têm Maria por mãe. Pois se a tivessem por mãe, honrá-la-iam e amá-la-iam como um verdadeiro e bom filho ama e honra naturalmente sua mãe, que lhe deu a vida.
- O sinal mais infalível e indubitável para distinguir um herético, um homem de má doutrina, um réprobo de um predestinado, é que o herético e o réprobo não têm senão desprezo ou indiferença pela Santíssima Virgem. Com suas palavras e exemplos, abertamente ou às ocultas, esforçam-se por lhe diminuir o culto e o amor, e isso por vezes sob belos pretextos.
Ah! Deus Pai não disse a Maria para habitar com eles, porque são Esaús.
§31. Deus Filho quer ser formado e, por assim dizer, encarnar todos os dias por intermédio de sua muito amada Mãe, nos Seus membros, e diz-lhe: “Recebe Israel por herança” (Eclo 24, 13). É como se dissesse: Meu Pai deu-me por herança todas as nações da Terra, todos os homens, bons e maus, predestinados e réprobos. Conduzirei uns com vara de ouro e outros com vara de ferro.
Serei Pai e Advogado de uns, Justo Vingador de outros e Juiz de todos.
- Mas Vós, minha Mãe, não tereis por herança e posse senão os predestinados, de quem Israel é figura. - Como sua boa mãe os dareis à luz, os alimentareis e educareis; como sua soberana os conduzireis, governareis e defendereis.
§32. “Um homem e um homem nasceu d'Ela” (Sl 86, 5), diz o Espírito Santo. Segundo a explicação de alguns Santos Padres, o primeiro homem que nasceu de Maria foi o Homem-Deus, Jesus Cristo; o segundo é um homem impuro, filho de Deus e de Maria por adoção.
- Se Jesus Cristo, cabeça dos homens, nasceu d'Ela, todos os predestinados, membros desta cabeça, também d'Ela devem nascer, por uma consequência necessária.
- A mesma mãe não pode dar à luz a cabeça ou o chefe sem os membros, nem os membros sem a cabeça: isso seria uma monstruosidade da natureza.
- Do mesmo modo, na ordem da graça, a cabeça e os membros nascem também duma só mãe. Se um membro do Corpo Místico de Jesus Cristo, quer dizer, um predestinado, nascesse de outra mãe que não fosse Maria, que gerou a Cabeça, não seria um predestinado nem um membro de Jesus Cristo, mas sim um monstro na ordem da graça.
§33. Além disso, Jesus Cristo é hoje, como aliás sempre, o fruto de Maria, como o Céu e a Terra lho repetem mil e mil vezes por dia: “... bendito é o fruto do Vosso ventre, Jesus”.
- Por isso é certo que Jesus Cristo é tão realmente o fruto e a obra de Maria para cada homem em particular, que o possui, como para todo o mundo em geral. De maneira que, se algum fiel tem Jesus Cristo formado no seu coração, pode dizer ousadamente:
“Graças a Maria! O que eu possuo é fruto e obra sua, e sem Ela não o teria”.
- Podem aplicar-se à Santíssima Virgem, com mais verdade ainda do que São Paulo as aplicava a si próprio, estas palavras: “Filhinhos meus, por quem eu sinto de novo as dores do parto, até que Cristo se forme em vós” (Gl 4, 19): Todos os dias dou à luz os filhos de Deus, até que meu Filho Jesus Cristo seja neles formado em toda a plenitude da sua idade.
- Santo Agostinho, ultrapassando-se a si mesmo e a tudo o que eu acabo de dizer, afirma que os predestinados, para se tornarem conformes à imagem do Filho de Deus, vivem neste mundo escondidos no seio da Santíssima Virgem. Lá são guardados, alimentados, sustentados e criados por esta boa Mãe, até que Ela os gere para a glória depois da morte. Este é propriamente o dia do seu nascimento, pois é assim que a Igreja chama a morte dos justos.
Ó Mistério de graça, escondido aos réprobos e tão pouco conhecido dos predestinados!
§34. Deus Espírito Santo quer formar n'Ela e por Ela eleitos, e diz-lhe: “Lança raízes entre os meus escolhidos” (Eclo 24, 13).
- Ó minha bem-amada e minha esposa, lança as raízes de todas as tuas virtudes nos meus eleitos, a fim de que eles cresçam de virtude em virtude e de graça em graça. Tive tanta complacência em Ti, quando vivias na Terra, praticando as mais sublimes virtudes, que desejo encontrar-te ainda na Terra, sem que deixes de estar no Céu. Reproduze-te, para isso, nos meus eleitos: que Eu possa ver neles, com agrado, as raízes da tua fé invencível, da tua humildade profunda, da tua mortificação universal, da tua oração sublime e ardente caridade, da tua firme esperança e de todas as tuas virtudes. Tu continuas a ser minha esposa tão fiel, tão pura e tão fecunda como nunca. Que a tua fé me dê fiéis; dê-me virgens a tua pureza, e a tua fecundidade, eleitos e templos.
§35. Depois de lançar as suas raízes numa alma, Maria opera nela maravilhas de graça que só Ela pode produzir, pois só Ela é a Virgem Fecunda que tem sido e será sempre sem igual em pureza e fecundidade. Maria produziu, com o Espírito Santo, a maior maravilha de quantas existiram ou existirão: o Homem-Deus.
- Produzirá ainda, consequentemente, as coisas mais admiráveis que hão de existir nos últimos tempos.
- A formação e educação dos grandes santos, que hão de vir no fim do mundo, estão-lhe reservadas, pois só esta Virgem Singular e Miraculosa pode produzir, em união com o Espírito Santo, coisas singulares e extraordinárias.
§36. Tendo-a encontrado numa alma, o Espírito Santo, seu Esposo, voa para lá, entra plenamente e comunica-se a essa alma abundantemente e na mesma medida em que ela dá lugar a Maria.
- Uma das grandes razões por que o Espírito Santo não opera agora maravilhas retumbantes nas almas é que não encontra nelas uma união bastante íntima com a sua fiel e indissolúvel esposa. Digo inseparável esposa porque desde que este Amor substancial do Pai e do Filho desposou Maria para produzir Jesus Cristo, Cabeça dos eleitos, e Jesus Cristo nos eleitos, nunca mais a repudiou, porque Ela foi sempre fiel e fecunda.
Quando o Espírito Santo, seu Esposo, encontra Maria numa alma, voa para ela, entra nela com plenitude e comunicasse-lhe tanto mais abundantemente quanto maior lugar esta alma dá à sua Esposa.

Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem Maria São Luis Maria Grignion de Monfort



sábado, 18 de outubro de 2014

MARIA ESPOSA DO ESPIRITO SANTO


   §20. Sendo o Espírito Santo estéril em Deus, isto é, não produzindo nenhuma outra Pessoa Divina, tornou-se fecundo por Maria, a quem desposou. Foi com Ela e n'Ela e d'Ela que formou a sua obra-prima: um Deus feito homem, e que forma todos os dias, até o fim dos séculos, os predestinados e os membros do corpo que tem por cabeça o adorável Jesus. É por isso que, quanto mais numa alma Ele encontra Maria, sua amada e inseparável esposa, tanto mais operante e poderoso se torna para produzir Jesus Cristo nessa alma e essa alma em Jesus Cristo.
   §21. Não se quer dizer com isto que a Santíssima Virgem dê ao Espírito Santo a fecundidade, como se Ele a não tivesse. Ele é Deus e, por isso, possui a fecundidade (ou a capacidade de produzir) tal como o Pai e o Filho, embora a não transforme em ato, produzindo outra pessoa divina. O que se quer dizer é que o Espírito Santo reduz a ato a sua fecundidade por intermédio da Santíssima Virgem. Mas o Espírito Santo quer servir-se d'Ela, embora disso não tenha uma necessidade absoluta, para produzir n'Ela e por Ela Jesus Cristo e os Seus membros. Mistério de graça, escondido mesmo aos cristãos mais sábios e mais espirituais!

Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem Maria São Luis Maria Grignion de Monfort



domingo, 12 de outubro de 2014

NOSSA SENHORA APARECIDA


Padroeira do Brasil – Possui a Basílica na cidade de Aparecida do Norte
     A história nos conta que nos idos de 1717, por ocasião da passagem pela região do governador da Capitania de São Paulo, Dom Pedro de Almeida – Conde de Assumar, e sua comitiva, foi solicitado aos pescadores que encontrassem nas águas do rio Paraíba do Sul a maior quantidade possível de peixes. Entre os pescadores estavam Domingos Martins Garcia, João Alves e Felipe Pedroso.
Lançaram suas redes várias vezes e não conseguiam pescar nada. Já estavam desanimados quando, de repente, na altura do Porto de Itaguaçu, percebem algo estranho na rede. Era o corpo de uma imagem feita de terracota. Em seguida, lançaram as redes novamente ao rio e acharam a cabeça que se encaixa direitinho no corpo da imagem. Após terem recolhido a imagem conseguiram grande quantidade de peixes e sentiram que o acontecido era um sinal dos céus. Os habitantes do lugar logo atribuíram o fato a um milagre da Virgem, que passaram a chamar Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Felipe Pedroso improvisou um altar em sua casa, no qual colocou a pequena imagem onde passaram a rezar o terço com toda a vizinhança. Em 1733, Felipe deu de presente a imagem a seu filho Atanásio Pedroso, que mandou construir um oratório. Logo depois, começaram a ocorrer prodígios extraordinários e a fama de Nossa Senhora Aparecida se espalhou. O número de peregrinos começou a aumentar de forma espetacular e a devoção se estendeu a todo o país.

O grito de independência
    O Brasil tornou-se independente sob a maternal proteção de Nossa Senhora Aparecida. D. Pedro, então Príncipe Regente, viajando do Rio de Janeiro para São Paulo, quis rezar diante da imagem da Aparecida. Prometeu-lhe consagrar o Brasil, caso resolvesse favoravelmente sua complicada situação política. Isto ocorreu no dia 22 de agosto de 1822. Quinze dias depois – a 7 de setembro, em São Paulo, na Colina do Ipiranga – nascia o Brasil independente, pelo brado histórico do Príncipe que se tornaria  o nosso primeiro Imperador com o nome de D. Pedro I.

Princesa Isabel e Virgem Aparecida
     A festa da Aparecida no ano de 1868 – até então celebrada em 8 de dezembro, dia da Imaculada Conceição,– encerrou-se com brilho especial. Com efeito, a Princesa Isabel, herdeira do trono brasileiro, quis dela participar ao lado de seu marido, o Conde d'Eu, na esperança de obterem da Senhora Aparecida a graça de um herdeiro. Para manifestar sua devoção, a Princesa doou à venerada Imagem um manto riquíssimo, ornado com vinte e um brilhantes, representando as vinte Províncias do Império mais a Capital. Anos depois, em 1884, Dona Isabel voltava a Aparecida em reconhecimento pela graça recebida. Feliz, vinha acompanhada não só do esposo, mas dos três herdeiros, os Príncipes D. Pedro, D. Luís e D. Antonio. A piedosa Princesa quis novamente honrar a milagrosa imagem da Senhora Aparecida oferecendo-lhe dessa vez uma riquíssima coroa de ouro, cravejada de brilhantes. Essa mesma coroa serviu, vinte anos depois, para a solene coroação da Imagem, por ordem do Papa São Pio X.

Rainha e Padroeira do Brasil
   Em 1903, os Bispos da Província Eclesiástica Meridional do Brasil, com vistas ao cinquentenário da proclamação do dogma da Imaculada Conceição, a transcorrer no ano seguinte, rogaram ao Santo Padre que mandasse coroar em seu nome a imagem de Nossa Senhora Aparecida.No dia 8 de setembro de 1904 reuniram-se em Aparecida oito Bispos e dois Abades, tendo à frente o Núncio Apostólico, D. Júlio Tonti, numerosos Sacerdotes e Freiras, autoridades civis e militares, além de uma grande multidão de fiéis procedentes dos mais recônditos rincões do território nacional. Após a Missa Solene celebrada pelo Núncio, o Bispo de Petrópolis, D. João B. Braga, proferiu vibrante sermão e leu a fórmula da Consagração do Brasil a Nossa Senhora Aparecida. O povo, de joelhos, ia repetindo. A seguir, o Bispo de São Paulo, D. José de Camargo Barros, cingiu a fronte da imagem com a coroa oferecida pela Princesa Isabel. Em 1930, atendendo ao sempre crescente aumento da devoção a Nossa Senhora Aparecida, e verificando as graças e favores insignes que Ela derramava sobre todo o País, o Papa Pio XI, a pedido dos Bispos brasileiros, a proclamou Padroeira do Brasil. Da capelinha improvisada, logo foi preciso outra maior, e depois outra, e hoje o Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida é a segunda maior igreja do mundo em área construída.

As graças e milagres continuam         
   A história de Aparecida tem o milagre na sua origem. Pinturas nas paredes da nave central da Basílica Velha representam de forma expressiva alguns dos primeiros milagres que se tomaram famosos. Essas graças e prodígios, entretanto, não cessaram com o correr do tempo. Maria Santíssima, de seu trono em Aparecida, continua ainda hoje a derramar sobre seus fiéis devotos chuvas de graças e bênçãos e a operar verdadeiros milagres.

A sacrílega profanação
   O Brasil se sentia tranquilo sob a proteção maternal da Senhora Aparecida. Talvez tranquilo demais, pois a decadência moral e religiosa dos últimos tempos –– que havia culminado com a introdução do divórcio em 1977 –– fazia temer que a Virgem Santíssima estivesse descontente com nosso País. Foi então que se deu um dos fatos mais graves de nossa História: no dia 16 de maio de 1978, durante a Missa vespertina, na Basílica Velha, um protestante fanático arrebatou de seu nicho a milagrosa imagem, jogando-a ao chão. Ela se partiu em mais de cento e sessenta fragmentos. A comoção em todo o Brasil foi enorme, e as pessoas piedosas procuraram oferecer atos de reparação por tamanha afronta à Padroeira, Nossa Senhora da Conceição Aparecida. A perfeita restauração da imagem foi mais um prodígio da Senhora Aparecida, desta vez pelas mãos de artistas e técnicos competentes.

Advertência materna
     Maria Santíssima permitiu a quebra da milagrosa imagem da Aparecida para nos alertar, a fim de que abandonemos o estado de indiferentismo religioso em que se encontra imerso nosso povo; deixemos o uso das modas imorais, que tanto ofendem a Deus e contristam a Virgem toda pura; renunciemos à assistência de novelas e filmes imorais; combatamos os costumes que dissolvem nossa sociedade; enfim, restauremos em toda a sua força a verdadeira família cristã. Para tanto, impõe-se um real afervoramento confiante da terna e enlevada devoção Àquela que é a nossa Advogada clemente e cheia de doçura, a Senhora da Conceição Aparecida, Mãe de Deus e Mãe nossa. Ergamos, então, nossa súplica à excelsa Padroeira: Senhora Aparecida, salvai o Brasil!
Hoje peregrinos de todo o país e do exterior chegam aos milhares ao seu majestoso santuário em Aparecida, especialmente no mês de outubro, quando se celebra, no dia 12, a festa oficial da Rainha e Padroeira do Brasil.

Fonte: SÁ FREIRE, Rita de Cássia Pinho França de - Nossa Senhora Auxílio dos Cristãos: Títulos Orações e Devoções. Ed. Petrus: 2010. São Paulo.

Rita de Sá Freire – Associada da Academia Marial de Aparecida


sábado, 11 de outubro de 2014

A VIRGINDADE DE MARIA



           Conhecemos muito pouco sobre a adolescência de Maria. E tudo nos é dado pelos Evangelhos Apócrifos. O que nos provém dos Evangelhos Canônicos refere-se a seu encontro com o Anjo Gabriel.
           Distinguimos um fato que nos basta para adivinhar a sequência: trata-se do voto de virgindade que fizera e que ela refere ao Anjo, no início de sua visita, com uma entonação que pode parecer um pouco estranha.
           Isso indica um propósito amadurecido. E, se pudermos supor como esse seu desígnio é verdadeiro, genuíno, apesar dos seus quinze anos, devemos imaginar que ela era criança precoce tendo, bem cedo, sondado a existência, e percorrido, com sábia maturidade, as dimensões da vida.
           Para julgar esse propósito de se manter virgem e compreender a agudeza de espírito, convém lembrar a mentalidade dos Judeus em relação à virgindade.
          A primeira lei do Criador dirigida a todos os seres viventes era “Crescei e multiplicai-vos.”1 E o primeiro instinto do povo escolhido (que se confundia com o seu primeiro e principal dever) era o de se comportar como povo, garantindo a sobrevivência.
         A mulher judia não conhece maior maldição do que a esterilidade, sinal do desprezo de Deus por ela. E, como não é possível conceber uma nova geração sem a carne, o ser que não pode procriar é um ser diminuído, desprezado, privado da imortalidade temporal, tendo fracassado em sua missão.
         Nós temos dificuldade em compreender esta ideia mosaica, este modo de agir segundo a Antiga Lei, pois estamos impregnados do Cristianismo e nele não podemos deixar de projetar novas luzes sobre antigas sombras.
          O ato de se consagrar à virgindade dava a uma jovem judia a chance de ser escolhida para ser a mãe do Messias. As Escrituras demonstravam que o Messias nasceria de uma virgem. Porém, a verdade histórica não era essa.  O texto de Isaías “O Senhor vos dará um sinal: eis que uma almahn (=virgem) conceberá, e dará à luz um filho, e o seu nome será Emanuel” (Is 7,14), segundo o texto hebraico o termo refere-se a uma donzela, mesmo casada. Mas pelo texto em grego o termo usado é parthenos (=virgem), pela tradução grega da Septuaginta 2.
         Além do mais, se a Virgem Maria conhecesse a origem virginal, a pergunta que fez ao Anjo não conteria um sentido pleno: “Como vai ser isso, se eu não conheço homem algum?” (Lc 1,34) Ela teria se expressado de forma contrária: “Isso não será possível, porque eu não conheço homem!”
          Guardando a virgindade no casamento, a Virgem se excluia, voluntariamente, segundo as concepções comuns, da dignidade de ser a mãe do Messias. Tal ponto de vista, é concorde com o caráter de Maria, sua extrema humildade, e a escolha deliberada de se colocar, sempre, em último lugar. E nós podemos adivinhar, então, que, se Deus a escolheu, ela nada havia feito para provocar ou estimular essa escolha.
A virgindade à imagem do Deus único
           O que é a virgindade?
           Seria mais do que apenas a abstenção das relações sexuais. Se ela fosse constituída apenas por essa abstenção, seria suspeita e poderia se fundamentar sobre uma ideia de mácula, ligada ao próprio uso da carne. Presume-se que, na mentalidade judaica, tenha havido alguma ideia nesse sentido, semelhante àquela da mentalidade primitiva. Mas não se encontra nenhum entendimento de condenação do casamento humano de Maria, que honrou com sua presença as núpcias de Cana.
          Ela deveria conceber a virgindade como o mais vivo sinal de total consagração a Deus criador e ao seu espírito. Logo, o que existe de mais puro na tradição judaica é que Israel tinha Deus como o Ser que estava acima de toda a natureza; um Deus único, transcendente, irrepresentável, que não se pode designar com um simples nome.
          A Virgem sabia, igualmente, que nós fomos criados, homens e mulheres, à imagem e à semelhança de Deus. A experiência que ela havia tido de sua diferença em relação às outras mulheres em nada a engrandeceu, mas fez com que crescesse em seu coração um apelo à solidão.
          E quando ela percebeu que era uma mulher, e compreendeu a honrosa possibilidade de ser mãe, ideou renunciar à maternidade, para unir-se aos outros e a Deus. Como sugere o pensamento judaico sobre a oblação, a oferenda das primícias, o melhor uso que se pode fazer da melhor das coisas, é sacrificá-la. José e o voto de virgindade de Maria
         É preciso compreender que, numa sociedade em que a virgindade não era nem conhecida nem salvaguardada (pois nenhuma instituição a preservava, modelo algum a consagrava), o voto de Maria só poderia ser efetivado no casamento.    O matrimônio tornara-se, então, uma necessidade: ela só poderia cumprir o desígnio escolhido, na realização de suas núpcias: somente o casamento poderia constituí-la virgem.
          Porém, como este enlace não podia ser contra a sua vocação virginal, Maria supunha que aquele que lhe fora designado como esposo, pela família, compreenderia e respeitaria o seu ideal. Este ato de abandono era, então, igualmente, um ato de fé.
          Jean Guitton nos diz: “Eu presumo que os dois, José e Maria, eram jovens e plenamente conscientes, habitando o presente com inteira disponibilidade, sem conhecer o extraordinário futuro que os aguardava. Imagino José jovem, forte, silvestre e vivaz, assim como o pastor libanês descrito no Cântico dos Cânticos.”3
           Por que ele não teria amado? Nem obtido o retorno do amor? (...) Sem dúvida, José tinha o sentimento de afinidade com aquela jovem, e sentia a imensa superioridade dela sobre ele. O amor do homem é modelado conforme o amor da mulher, que é a silenciosa educadora do elã viril. Maria purifica e virginiza José, assim como virginizaria tantos jovens, com o seu sorriso, e a estirpe sacerdotal, que lhe deve a conservação do estado da virgindade viril, aqui na terra.
          José e Maria haviam renunciado à paternidade e à maternidade; eles não sabiam o que os cercava, em termos de fecundidade nesse sacrifício; eles não tinham como pressentir o Inominado, o Incompreensível que sobreviria, serenamente, entre os dois.
          E, no entanto, a união entre José e Maria, não se assemelhava a uma união fechada em si mesma, como se fosse uma clausura, um claustro para duas pessoas ou para uma, somente. Esta união seria dominada pela esperança. Devia haver entre os dois, o pressentimento de que um mundo novo nasceria da harmonia e da concordância entre ambos.” A Virgindade.
            Os dois primeiros capítulos dos Evangelhos de São Mateus e de São Lucas afirmam claramente que Maria concebeu Jesus sem intervenção de varão: “o que nela foi concebido vem do Espírito Santo”, disse o anjo a São José (Mt 1, 20); e a Maria, que pergunta “Como se fará isso, pois não conheço homem?”, o anjo lhe responde: “O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra...” (Lc 1, 34-35).
          Por outro lado, o fato de Jesus na Cruz entregar sua Mãe aos cuidados de São João supõe que a Virgem não tinha outros filhos. Que os Evangelhos mencionem em certos trechos os “irmãos de Jesus” pode explicar-se pelo uso do termo “irmãos” em hebraico com o sentido de parentes próximos (Gn. 13, 8; etc.).
Outra hipótese seria supor que São José tivesse filhos de um matrimônio anterior. Também podemos considerar que o termo “irmãos” foi usado no sentido de membro do grupo de crentes, tal como é comum no Novo Testamento (cf. At 1, 15). A igreja sempre acreditou na virgindade de Maria, e a chama de “sempre virgem”4 antes, durante e depois do parto.
          A concepção virginal de Jesus deve ser entendida como obra do poder de Deus “porque a Deus nenhuma coisa é impossível” (Lc 1,37). Foge a toda compreensão e poder humanos. Não tem relação alguma com as representações mitológicas pagãs em que um deus se une a uma mulher realizando o papel do homem, como nos mitos gregos.
           A concepção virginal de Jesus é uma obra divina no seio de Maria similar à Criação. Isso é impossível de aceitar para o não crente, como era para os judeus e pagãos, entre os quais se inventou histórias grosseiras acerca da concepção de Jesus, como a que a atribui a um soldado romano chamado Pantheras. Na verdade, esse personagem é uma ficção literária, sobre o qual se inventou uma lenda para zombar dos cristãos. Partindo do ponto de vista da ciência histórica e filológica, o nome Pantheras (ou Pandera) é uma corruptela que parodia a palavra grega parthénos (=virgem). As pessoas, que utilizavam o grego como língua de comunicação em grande parte do império romano do oriente, ouviam os cristãos falarem de Jesus como o Filho da Virgem (huiós parthénou), e quando queriam zombar deles, chamavam-no de “filho de Pantheras”.5 Tais histórias testemunham que a Igreja sustentava a virgindade de Maria, ainda que parecesse impossível.
            O fato de Jesus ter sido concebido virginalmente é um sinal de que Ele é verdadeiramente Filho de Deus por natureza — daí que não tenha um pai humano — e, ao mesmo tempo, verdadeiro homem nascido de mulher (Gl 4,4). Nas passagens evangélicas, mostra-se a absoluta iniciativa de Deus na história humana para o advento da Salvação. E também que esta se insere na própria história, como mostram as genealogias de Jesus.   Pode-se compreender melhor a Jesus, concebido pelo Espírito Santo e sem intervenção de homem, como o novo Adão que inaugura uma nova criação. A ela pertence o homem novo redimido por Cristo (1Cor 15,47; Jb 3,34).
            A virgindade de Maria é sinal de sua fé sem vacilações e de sua entrega plena à vontade de Deus. Inclusive diz-se que, por essa fé, Maria concebe a Cristo antes em sua mente que em seu ventre, e que “mais bem-aventurada, pois, foi Maria em receber Cristo pela fé do que em conceber a carne de Cristo. A consanguinidade materna, de nada teria servido a Maria, se Ela não se tivesse sentido mais feliz em acolher Cristo no seu Coração, que no seu seio”. 6    Sendo virgem e mãe, Maria é também figura da Igreja e sua mais perfeita realização.
Papa destaca valor da virgindade consagrada
              Bento XVI recorda que a virgindade consagrada “uma expressão particular de vida consagrada, que refloresceu na Igreja depois do Concílio Vaticano II, mas cujas raízes são antigas”. Radicam “nos inícios da vida evangélica quando, como novidade inaudita, o coração de algumas mulheres começou a abrir-se ao desejo da virgindade consagrada: ou seja, ao desejo de dar a Deus todo o próprio ser. Funda-se num simples convite evangélico – ‘quem puder compreender, que compreenda’ – e no conselho paulino sobre a virgindade pelo Reino de Deus. E contudo nele ressoa todo o mistério cristão”.
             Bento XVI nos ensina que, quando surgiu, este “carisma não se configurava com particulares modalidades de vida, mas foi-se depois institucionalizando, pouco a pouco, até chegar a uma verdadeira consagração pública e solene, conferido pelo Bispo mediante um sugestivo rito litúrgico que fazia da mulher consagrada a sponsa Christi, imagem da Igreja esposa”.

                                                                                                                                                                                       Por  Alexandre Martins, cm.

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1- (Gn 1,22) Na Versão original do grego, lê-se “sede fecundos, multiplicai-vos”.
2- versão da Bíblia hebraica para o grego koiné, traduzida entre o terceiro e o primeiro século a.C. em Alexandria (Egito). É a mais antiga tradução da bíblia hebraica para o grego, língua franca do Mediterrâneo oriental pelo tempo de Alexandre, o Grande. A tradução ficou conhecida como a Versão dos Setenta (ou Septuaginta, palavra latina que significa “setenta”), pois setenta e dois rabinos trabalharam nela e, segundo a história, teriam completado a tradução em setenta e dois dias. A Septuaginta foi usada como base para diversas traduções da Bíblia. A Septuaginta inclui alguns livros não encontrados na bíblia hebraica. Muitas bíblias da Reforma seguem o cânone judaico e excluem estes livros adicionais. Entretanto, católicos romanos incluem alguns destes livros em seu cânon e as Igrejas ortodoxas usam todos os livros conforme a Septuaginta. De grande significado para muitos cristãos e estudiosos da Bíblia, é citada no Novo Testamento e pelos Padres da Igreja. Recentes estudos acadêmicos troxeram um novo interesse sobre o tema nos estudos judaicos. Alguns dos pergaminhos do Mar Morto sugerem que o texto hebraico pode ter tido outras fontes que não apenas aquelas que formaram o texto massorético. Em vários casos, estes novos textos encontrados estão de acordo com a LXX.

Fontes:
3- GUITTON, Jean, La Vierge Marie, pág. 30, Editions Montaigne.
4- Constituição Dogmática Lumen Gentium, 52
5- VARO, Francisco. Rabí Jesús de Nazaret, B.A.C., Madrid, 2005, págs. 212-219.
6- s. Agostinho de Hipona, citado pela Exortação Apostólica “Signum Magnum” de Paulo VI, 10.
7- Disponível em http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=60134. Acesso em 02/03/2011


sábado, 4 de outubro de 2014

MARIA NOVA EVA


    Deus Pai, para dar a Maria o poder de produzir o seu Filho e todos os membros do seu Corpo Místico, comunicou-lhe a sua fecundidade, na medida em que uma simples criatura a podia receber. Deus Filho e Maria Como o novo Adão ao seu Paraíso Terrestre, assim desceu Deus Filho ao seio virginal de Maria para aí achar as suas delícias e operar, às escondidas, maravilhas de graça.
   O Deus feito homem encontrou a sua liberdade em se ver aprisionado no seio d'Ela; fez brilhar a sua força, deixando-se levar por essa jovem Virgem. Achou a sua glória, e a de seu Pai, escondendo os Seus esplendores a todas as criaturas da Terra, para só os revelar a Maria; glorificou a sua independência e majestade dependendo desta amável Virgem na sua concepção, nascimento, apresentação no templo, na sua vida oculta de trinta anos e, até, na sua morte. Maria devia assistir a essa morte, porque Jesus quis oferecer com Ela um mesmo sacrifício e ser imolado ao Eterno Pai com seu assentimento, como outrora Isaac também fora imolado à vontade de Deus pelo consentimento de Abraão. Foi Ela que o amamentou, nutriu, sustentou, criou e sacrificou por nós.

 São Luís Maria Grignion de Montfort