sábado, 14 de setembro de 2013

MARIA: EXEMPLO DE ORAÇÃO



   Em comunhão com nossa Igreja Particular em oração, quero aqui falar de Nossa Senhora cuja a vida sempre esteve envolta em oração. Maria, exemplo de oração.
    Maria, criança orante com seus piedosos pais, em casa e na sinagoga, ouvindo a Palavra de Deus e cantando salmos.
   Maria, adolescente e jovem, no meio daquelas comunidades religiosas dos pobres de Javé que havia na região da Galiléia.
   Maria, filha orante com seus pais, nas longas peregrinações a Jerusalém, celebrando a Festa da Páscoa.
    Maria, jovem noiva orante, ungida pelo Espírito Santo, respondendo ao Anjo da anunciação: “Eis aqui a servidora de Javé, faça-se em mim segundo a tua Palavra” (Lc 1,8).
   Maria, orante com a anciã Isabel, confidenciando-lhe o mistério de sua gravidez divina e profeticamente cantando e orando: “A minha alma engrandece ao Senhor e exulta meu espírito em Deus, meu Salvador, porque olhou para a pequenez de sua serva. Sim! Doravante as gerações hão de chamar-me bem aventurada, pois o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor” (Lc 1,46-49).
  Maria, mãe orante, esposa de José, diante do mistério do Natal: “Ela conservava cuidadosamente todos os acontecimentos e os meditava em seu coração” (Lc 2,19).
   Maria, orante silenciosa na apresentação do Menino no Templo, diante dos exultantes anciãos Simeão e Ana que reconheceram o Messias anunciado pelos profetas.
   Maria, orante no exílio do Egito, na saudade e na recordação de sua gente e sua pátria.
    Maria, dona de casa orante, no aconchego humilde de seu lar em Nazaré, no cumprimento de sua missão de esposa e mãe.
   Maria, orante com José  e com o Menino, na sinagoga e nas suas alegres peregrinações ao Templo de Jerusalém.
   Maria, mãe aflita orante, no desaparecimento do Menino com seus doze anos, numa Festa da Páscoa em Jerusalém.
   Maria, orante na dor e na solidão, ao tornar-se viúva de José. Maria, orante nos três anos da vida pública de Jesus.
   Maria particularmente orante naquela sua intervenção materna em Caná da Galiléia, para que não faltasse o vinho na festa de um casamento: “Filho, eles não têm mais vinho”! (Jo 2,3)
   Maria, viúva de José, mulher forte e cheia de fé orante aos pés da cruz, unindo seus sofrimentos ao de Cristo pela salvação da humanidade.
   Maria, mãe corajosa, orante no sepultamento  de Jesus. Maria orante na expectativa da ressurreição, orante jubilosa no encontro e no amplexo com seu Filho ressuscitado.
   Maria orante com a Igreja que nascia após a Ascensão: “Todos, unânimes perseveram na oração com algumas mulheres, entre as quais Maria, a mãe de Jesus e os irmãos dele” (At 1,14). Maria orante no dia de Pentecostes quando a Igreja iniciava sua caminhada na história.
   Maria, de Jesus discípula missionária orante e evangelizadora, no meio das primeiras comunidades cristãs. Quem melhor do que ela para falar de seu filho?
   Maria, mulher ressuscitada assunta ao Céu, junto ao Filho, no seio do Pai, sempre orante pela Igreja e por toda a humanidade.
   Maria, exemplo e mestra de oração, nos convidam, nos ensina e nos ajuda a sermos pessoas de oração, famílias de oração, comunidades de oração. 
Fontes: Frei Lourenço Maria Papin, OP
Informativo do Santuário Nossa Senhora do Rosário de Fátima
Santa Cruz do Rio Pardo/SP
Edição 169 – Junho/2013


quinta-feira, 12 de setembro de 2013

SANTÍSSIMO NOME DE MARIA


   O nome de Maria é como um bálsamo que corre agradavelmente sobre os membros dos enfermos e os penetra com eficácia. Ele é semelhante a este óleo que, por suas unções, reanima e suaviza, dá força, flexibilidade e saúde. Mais do que o nome de todos os Santos. O de Maria nos repousa de nossas fadigas, cura todos os nossos males, ilumina nossa cegueira, comove nosso endurecimento e nos encoraja em nossos desânimos. Maria é a vida e a respiração de seus servidores, a saúde dos enfermos, o remédio dos pecadores. Ricardo de São Vítor, interpretando estas palavras do Eclesiastes (VII, 2): "É melhor o bom nome do que os bálsamos preciosos", as aplica assim à Bem-aventurada Virgem: "O nome de Maria cura os males do pecador com maior eficácia do que a dos unguentos mais procurados; não há doença, por desastrosa que seja, que não ceda imediatamente à voz desse bendito nome".
   Nosso Divino Salvador, se não me engano, no-lo quis recomendar quando, ressuscitando dos mortos, o primeiro nome que aflorou em seus lábios foi o de Maria.
Com efeito, dirigindo-se à Madalena, a primeira a quem Ele aparecia após sua Ressurreição, disse-lha (Jo XX, 16): "Maria", para nos significar que o nome de Maria encerra a vida em si mesmo, e se harmoniza tão bem com a vida imortal, que merece ser o primeiro a sair da boca do Salvador, já em possessão da imortalidade. Esta reflexão é de Cesário, em sua bomilia sobre a Visitação.

Nome que desarma e abre o coração de Deus, em favor dos homens

   E acrescentamos com o Pe. J. Guibert, que assim se expressa na sua Meditação para a festa do Santo Nome de Maria: “O nome de Maria desarma o coração de Deus”. Não há pecador, por mais criminoso, que pronuncie em vão esse nome. Embora merecesse, por suas faltas, todas as cóleras do céu, ele se vê protegido como por inviolável para-raios, logo que articule o nome de Maria.
A este nome, o perdão desce infalivelmente sobre as almas pecadoras, não porque tenha Ela o direito de concedê-lo, mas porque é onipotente para implorá-lo - Omnipotentia suppex. O nome de Maria abre o coração de Deus e põe todos os seus tesouros à disposição da alma que o invoca.
    A História nos ensina que uma multidão de Santos caridosos fizeram voto de jamais recusar a esmola que lhes fosse pedida em tal ou tal nome. Assim que ouviam o nome amada, eles davam, davam sempre, até o último óbolo e até suas próprias vestimentas. O nome de Maria tem esse poder mágico sobre o coração de Deus. Deus Filho, Jesus Cristo, entrega tudo o que tem àqueles que Lhes estendem a mão em nome de sua Mãe; Deus Padre, fonte de toda riqueza, concede toda graça àqueles que mendigam diante d’Ele invocando o nome de sua Filha Bem-amada. (...)

Nome de salvação e de alegria

   O nome de Maria é um nome salvador, sobretudo nos perigos de ordem moral. Quantas tentações por ele foram vencidas, quantos pecados evitados, quantos imundos corações purificados, quantas penosas confissões extraídas de almas que se cria para sempre fechadas!
É também um nome de consolação e de alegria. Ele dissipa a tristeza na alma que o pronuncia. Tendes medo de Deus e de seus julgamentos? Pensai em Maria e invocai seu nome: vossa confiança em Deus renascerá. Tendes medo dos homens, diante dos quais vos cobristes de vergonha e perdestes a reputação? Pensai em Maria e invocai seu nome: e não tereis mais receio de levantar os olhos diante de vossos semelhantes. Esmaga-vos o peso da humilhação ou da dor física? Pensai em Maria, invocai seu nome, e sereis aliviados. Tendes a horrível morte que rompe e põe fim a tudo? Pensai em Maria, invocai seu nome, e tereis coragem de aceitar esse supremo sacrifício.

Nome de força

   O nome de Maria, enfim, é um nome de força. Quaisquer que sejam os inimigos que vos ameaçam, venham eles do Inferno, como o demônio que vos tenta; ou venham do mundo, como os adversários que vos perseguem, invocai o poderoso nome de Maria e a todos vencereis. 
Quaisquer que sejam vossas próprias fraquezas provenham elas do orgulho, da inveja, da sensualidade ou da preguiça, confiai vosso débil coração à solicitude da Virgem, invocai o poderoso nome de Maria, e vos vencereis a vós mesmos. 

Precioso tesouro da Santíssima Trindade

   Recolhendo opiniões dos santos Doutores sobre o nome de Maria, traça São João Eudes esta admirável síntese: 

   "O nome de Maria, diz Santo Antônio de Pádua, é júbilo para o coração, mel na boca e doce melodia no ouvido." 

   "Bem-aventurado o que ama vosso nome, ó Maria (é São Boaventura quem fala), porque este santo nome é uma fonte de graça que refresca a alma sedenta e a faz produzir frutos de justiça." 

   "Ó Mãe de Deus, diz o mesmo Santo, que glorioso e admirável é vosso nome. O que o leva em seu coração se verá livre do medo da morte. Basta pronunciá-lo para fazer tremer a todo inferno e por em fuga a todos os demônios. O que deseja possuir a paz e a alegria do coração, que honre vosso santo nome." 
   "O nome de Maria, diz São Pedro Crisólogo, é nome de salvação para os regenerados, sinal de todas as virtudes, honra da castidade; é o sacrifício agradável a Deus; é a virtude da hospitalidade; é a escola de santidade; é, enfim, um nome completamente maternal." 
   "Ó amabilíssima Maria, exclama também São Bernardo, vosso santo nome não pode passar pela boca sem abrasar o coração! Os que Vos amam não podem pensar em Vós, sem um consolo e um gozo muito particulares. Nunca entrais sem doçura na memória dos que Vos honram." 
   "Ó Maria, diz o Santo Abade Raimundo Jordão, o chamado Idiota, a Santíssima Trindade Vos deu um nome que, depois do de vosso Filho, está acima de todos os nomes; nome a cuja pronunciação deve dobrar o joelho todas as criaturas do Céu, da terra e do Inferno, e toda língua confessar e honrar a graça, a glória e a virtude do santo nome de Maria. Porque, depois do nome de vosso Filho, não há quem seja tão poderoso para nos assistir em nossas necessidades, nem de quem devamos esperar mais os socorros que necessitamos para nossa eterna salvação." 
   "Este nome tem mais virtude do que todos os nomes dos Santos para confortar os débeis, curar os enfermos, iluminar os cegos, abrandar os corações endurecidos, fortificar os que combatem, dar ânimo aos cansados e derrubar o poderio dos demônios" (...). 
   "Ouçamos a São Germano de Constantinopla: “Como a respiração, diz, não só é o sinal como também a causa da vida, assim quando vedes cristãos que tem com frequência o santo nome de Maria na boca, é sinal de que estão vivos com a verdadeira vida”. O afeto particular que se tem a este sagrado nome, dá vida aos mortos, a conserva nos vivos, e os enche de gozo e de benção". 
Numa palavra, quem diz Maria, diz o mais precioso tesouro da Santíssima Trindade, como afirma Orígenes. Quem diz Maria, diz o mais admirável ornamento da casa de Deus. Quem diz Maria, diz a glória, o amor e as delícias do Céu e da Terra. 

Nome terrível para os demônios

   Concluímos com estas fervorosas palavras do venerável Tomás de Kempis, a respeito do glorioso nome da Mãe de Deus: 
   Os espíritos malignos tremem ante a Rainha dos Céus, e fogem como se corre do fogo, ao ouvir seu santo nome. Causa-lhes pavor o santo e terrível nome de Maria, que para o cristão é um extremo amável e constantemente celebrado. 
Não podem os demônios comparecer nem poder por em jogo suas artimanhas onde veem resplandecer o nome de Maria. Como trovão que ressoa no céu, assim cai derrubados ao ouvirem o nome de Santa Maria. E quanto mais amiúde se profere este nome, e mais fervorosamente se invoca mais céleres e para mais longe escapam. 


Nome a ser continuamente invocado

   De outro lado, os Santos Anjos e os espíritos dos justos se alegram e se deliciam com a devoção dos fiéis, ao verem com quanto afeto e frequência celebram estes a memória de Santa Maria, cujo glorioso nome aparece em todas as igrejas do orbe, que tem especialmente consagrada a seu louvor. E é justo e digno que acima de todos os Santos seja honrada na Terra a Mãe de Deus, a quem os Anjos veneram todos a uma só voz, com sublimes cânticos. 
   Seja, pois, o nome de Maria venerado por todos os fiéis, sempre amado pelos devotos, vinculado aos religiosos, recomendado aos seculares, anunciado pelos pregadores, infundindo aos atribulados, invocado em toda sorte de perigos. É desejo de Deus que os homens amem a Nossa Senhora. 

É desejo de Deus que os homens amem a Nossa Senhora

    Devemos amar a Santíssima Virgem - escreve Santa Antônio Maria Claret - porque Deus o quer. (...) Ele próprio nos dá exemplo e nos incita a amar a Maria: O Padre Eterno A escolheu por Filha sua muito amada; o Filho Eterno A tomou por Mãe, e o Espírito Santo, por Esposa. Toda a Santíssima Trindade A coroou como Rainha e Imperatriz do Céu e da terra, e A constituiu dispensadora de todas as graças (...) 
   Devemos amar a Maria Santíssima porque Ela o merece, pelo cúmulo de graças que recebeu sobre a Terra, pela eminência da glória que possui no Céu, pela dignidade quase infinita de Mãe de Deus a que foi exaltada, e pelas prerrogativas inerentes a esta sublime dignidade. (...) Devemos amar a Maria Santíssima e ser seus devotos verdadeiros, porque a devoção a Ela é um meio poderosíssimo para alcançar a salvação. 

Bem-aventurados os que amam a Maria

   “Feliz, feliz aquele que Vos ama, ó Maria, Mãe dulcíssima” - exclama Santo Afonso de Ligório. São João Berchmans, da Companhia de Jesus, costumava dizer: Se amo a Maria, estou certo da minha perseverança e de Deus obtenho tudo o que quiser. Renovava por isso sem cessar este propósito: Quero amar a Maria, quero amá-La sempre. 
   Oh! Como esta boa Mãe excede em amor a todos os seus filhos! Amem-Na estes quanto puderem, sempre serão vencidos pelo amor que lhes consagra Maria, observa Pseudo-Inácio, mártir. 
   Tenham-lhe a mesma ternura de amor com que A tem amado tantos de seus servos, que já nem sabiam o que mais fazer como prova muito que Lhe bem queriam. (...) 
   Estava uma vez ao pé de uma imagem de Maria o Venerável Afonso Rodriguez, da Companhia de Jesus. Abrasado de amor para com a Santíssima Virgem, disse-lhe: Minha Mãe amabilíssima, bem sei que Vós me amais; mas Vós não me quereis tanto quanto eu Vos amo. Então, Maria, como que ofendida em seu amor, lhes respondeu: Que dizes Afonso, que dizes? Oh! Quanto é maior o meu amor por ti do que o teu por Mim! Sabe lhe disse, que do meu amor ao teu há mais distância do que do céu a Terra. 

   Tem, pois, razão São Boaventura ao exclamar: Bem-aventurados aqueles que têm a felicidade de ser fiéis servos e amantes desta Mãe amantíssima! Sim, porque esta gratíssima Rainha não admite que em amor A vençam os seus devotos servidores. Maria, imitando nisto a Nosso Senhor Jesus Cristo, com seus benefícios e favores dá a quem A ama o seu amor duplicado. 

Ao amor de Mãe, deve corresponder nosso amor de filhos

    Sendo assim, ao amor de Mãe que nos tem Maria, devemos corresponder com nosso amor de filhos. Pois é justo que nosso coração se mostre conquistado pelo seu. Se nós A amamos, devemos nos comprazer com sua lembrança, falar d'Ela com agrado e obedecê-La com diligência (...) 
   Devemos nos esforçar por imitá-La. A mais bela homenagem que um filho pode render à sua mãe é de lhe reproduzir os traços em sua própria conduta. Que nosso coração, portanto, seja semelhante ao de Maria. Antes de tudo, que ele seja puro como o d'Ela; evitemos, pois, a imundície do pecado. Que nosso coração seja bom e terno como o d'Ela; compassivo, acolhedor, benévolo, generoso. Portanto, que nada exista de duro em nossos pensamentos nem em nossas palavras, em relação ao nosso próximo. 
   Enfim, que nosso coração seja forte, como o d'Ela, indomável quando se trata da salvação das almas, não abandonando jamais o terreno, quando nos tenha sido confiado o regate de uma alma, trabalhando para isto com o perigo de nossa própria vida. Portanto, nada dessas timidezes que se recusam a abordar as almas, nada de covardias que recuam diante das dificuldades. (Clá Dias, João - Pequeno Ofício da Imaculada Conceição Comentado, Artpress, São Paulo, 1997, p. 299 à 304). 



Fonte: http://www.arautos.org
 

terça-feira, 10 de setembro de 2013

ROSÁRIO DAS LÁGRIMAS

Rosário das Lágrimas – símbolo de Nossa Senhora das Sete Dores: é um terço com 49 contas brancas divididas em sete partes de sete contas cada.
Eis-nos aos Vossos pés, ó dulcíssimo Jesus Crucificado, para Vos oferecer as Lágrimas d'Aquela que, com tanto amor, Vos acompanhou no caminho doloroso do calvário. Fazei, ó bom Mestre, que nós saibamos aproveitar a lição que elas nos dão para que, realizando a Vossa Santíssima Vontade na terra, possamos um dia, nos céus, Vos louvar por toda a eternidade. Amém.

Nas contas maiores:
Vede, ó Jesus, que são as lágrimas d'Aquela que mais Vos amou na terra... E que mais Vos ama nos céus.

Nas contas menores:
Meu Jesus, ouvi os nossos rogos. Pelas lágrimas de Vossa Mãe Santíssima.

No final:
Vede, ó Jesus, que são as lágrimas d'Aquela que mais Vos amou na terra... E que mais Vos ama nos céus. (3 vezes)
Virgem Santíssima e Mãe das Dores, nós Vos pedimos que junteis os Vossos pedidos aos nossos, a fim de que Jesus, Vosso divino Filho, a quem nos dirigimos, em nome das Vossas Lágrimas de Mãe, ouça as nossas preces e nos conceda, com as graças que desejamos a coroa eterna. Amém.

Jaculatórias:
Coração de Jesus Crucificado, Fonte de amor e de perdão! Por Vossa mansidão divina renovai a face da terra e reinai em nossos corações.
Ó Virgem dolorosíssima! As Vossas lágrimas derrubaram o império infernal.

+ Francisco, Bispo de Campinas
Campinas, 8 de março de 1934



sábado, 7 de setembro de 2013

NOSSA SENHORA DO RESGATE


   Após descobrir o Brasil, Pedro Ávares Cabral seguiu viagem para a Índia pela rota aberta por Vasco da Gama, dois anos antes. 
   Aportou em Cochim, em 26 de novembro de 1500. Imediatamente os quatro frades franciscanos que ele trouxera consigo iniciaram a evangelização dos nativos. Pois, para os portugueses do Século de Ouro das descobertas, descobrir ou conquistar importava em evangelizar. 
   Quando, três anos mais tarde, o Rajá de Cochim foi aprisionado pelo Samorim de Calicute, uma frota portuguesa sob o comando do legendário Afonso de Albuquerque desbaratou os exércitos daquele potentado e dos Marikars, libertando o monarca. Este, profundamente grato, concedeu ao grande almirante permissão para erigir uma fortaleza com capela em Cochim. 
   E, mais tarde, autorizou o primeiro Vice-Rei das Índias a edificar uma igreja utilizando pedra e cal, então privilégio dos templos hindus. Com o tempo, o Rajá de Cochim tornou-se o mais fiel apoio dos lusos no Oriente. Suas liberalidades facilitaram e deram novo impulso à evangelização. 

Graça concedida ao Ministro pagão 

   No encantador estuário em que está Cochim, há várias ilhas. Uma delas é a de Vallapardam, a 3 km da terra firme, a oeste de Ernakulam. 
   Por volta de 1524 os missionários portugueses nela construíram uma igreja para abrigar um quadro de Nossa Senhora, doado por Vasco da Gama em sua última viagem ao país, onde faleceu pouco depois. Essa igreja foi dedicada ao Divino Espírito Santo. 
   No ano de 1676, a ilha foi praticamente submersa pelas águas. Como que guiado por mão invisível, o quadro de Nossa Senhora desprendeu-se do interior do santuário inundado, sendo levado para fora do templo pelas águas em fúria. Flutuando à mercê das ondas, quando alguém tentava agarrá-lo, afastava-se misteriosamente. 
   Por insondável desígnio da Virgem, não foi um católico, mas um hindu, que conseguiu resgatar das águas o precioso ícone. O Primeiro Ministro do Rajá de Cochim, Paliyath Raman Valiyachan, percorria de barco a área inundada quando o viu brilhando nas águas. "É o quadro de Nossa Senhora, da igreja, que ninguém consegue pegar", informou-lhe um de seus remadores, cristão. Intrigado Paliyath mandou aproximar seu barco, e o quadro desta vez permaneceu imóvel até ser retirado das águas pelo ministro. 
   Poder-se-ia supor que o hindu se convertesse com isso. Tal não ocorreu. Doou, entretanto o terreno para que outra igreja fosse construída em substituição à arruinada pela enchente, oferecendo-se também a fornecer, enquanto vivesse, o azeite para iluminar a lamparina do Santíssimo do novo templo. Esse propósito continua a ser cumprido até nossos dias por seus descendentes. 

Três dias mãe e filho sobrevivem milagrosamente sob as águas

   Quase um século mais tarde, em maio de 1752, ocorreria o estupendo milagre que tornaria a igreja de Vallapardam um centro de peregrinação. 
   Vivia naquela ilha uma jovem esposa da casta dos Nair (dos guerreiros), de nome Meenakshiyamma, oriunda de nobre família local. Um dia ela cruzava o estreito entre Vallapardam e Mattanchery quando o barco em que estava começou a soçobrar. Imediatamente lembrou-se da Senhora representada no quadro resgatado das águas e prometeu que, se a Virgem Santíssima também delas a resgatasse com o filhinho que tinha ao colo, eles far-se-iam seus Adimas(escravos ou servos) até a morte. O bote foi ao fundo levando consigo mãe e filho. 
   Três dias depois o vigário da ilha, o português Pe. Miguel Corrêa (*), viu em sonhos Nossa Senhora que lhe ordenou que fosse "resgatar das águas minha serva", indicando-lhe o exato lugar em que se encontrava. 
   De manhãzinha o Pe. Miguel foi ao rio com alguns pescadores dizendo-lhes para lançar as redes no local apontado pela Virgem. Qual não foi a surpresa geral ao verem nelas mãe e filho, são e salvos! 
   Meenakshiyamma, sim, converteu-se. Ela e seu filho foram batizados, recebendo ele o nome de Jesudas (Jesus) e ela o de Mariamma (Maria). Cumprindo seu voto, mudaram-se para junto da igreja. Como servos da Senhora, até o fim de sua vida narravam a atônitos peregrinos a grande mercê recebida. 
   A fama do milagre alastrou-se rapidamente atraindo gente de toda parte, católicos ou não, o que levou o Papa Leão XIII a elevar, em 1888, o altar-mor da igreja, onde se encontra o milagroso quadro, a "Altare Privilegiatum in Perpetuum Concessum". 
   Pescadores de toda área litorânea de Kerala levam seus barcos para serem bentos em Vallarpadam. Os peregrinos habitualmente procuram a Vallapardathamma (Mãe de Vallarpadam como ternamente a chamam na língua local, o Malayalam) para pedir por suas mais variadas necessidades, tais como livrar-se de doenças, da pobreza, desemprego, de vícios adquiridos como o do alcoolismo ou drogas; ou vão à procura de alívio para problemas psicológicos como ansiedade, medo, ódio, depressão. Muitos deles, a exemplo de Mariamma, consagram-se, por meio de uma oração, como servos de Nossa Senhora do Resgate. 

Nota:

   (*) Quando visitamos o santuário, seu simpático vigário, Pe. Isaac Kirisingal mostrou-nos um antigo livro de atas da Confraria de Nossa Senhora do Resgate, um pouco posterior a esse acontecimento. Estava todo redigido em português, embora na época os lusos já não dominassem mais a região, e sim os huguenotes holandeses. E mencionava diversas vezes o nome do Pe. Miguel. Durante essa visita em um dia comum de semana, dois diferentes grupos de peregrinos -- um constituído de católicos, e o outro de hindus -- chamaram o Pe. Isaac para dar-lhes a benção costumeira; e, por ordem do sacerdote, humildemente ajoelharam-se durante a cerimônia. 



                                                             Por Plinio Maria Solimeo


Fonte: http://www.catolicismo.com.br



ESSA SENHORA - BANDA DOM


Essa Senhora Banda Dom

Tom: E
             
(intro 4x) E  E4  E

     E                      G#m         C#m            A            E
Quem é essa senhora, que me fala com ternura, que me acolhe sempre com
            F#m             B    B7
bondade, em tudo se faz entrega.
     E                   G#m      C#m    A                        E
Quem é essa senhora, de mãos estendidas, que me espera sempre em seu
          F#m           B     B7
olhar, em tudo é misericórdia
A         F#m  F#m/E            E           E7  A       F#m  F#m/E
Bem aventurada,      ouve esta nossa oração,   Maria bendita,      nossa
      E     ( E  E4 ) (2x)
consolação.

 A           B7           E               A            B7      C#m
Mãe, eis-me aqui sou teu filho, nos teus braços gentis quero estar,
 A           B7            E    C#m        A        B7      A   E
Mãe, eis-me aqui sou teu filho,    minha vida vou te entregar.

     E                     G#m             C#m  A
Quem é essa senhora, que é Mãe do próprio Deus, que guarda em seu
 E          F#m            B    B7
coração, as palavras de um anjo.
A         F#m  F#m/E            E           E7  A       F#m  F#m/E
Bem aventurada,      ouve esta nossa oração,   Maria bendita,      nossa
      E     ( E  E4 ) (2x)
consolação.

A           B7           E               A            B7      C#m
Mãe, eis-me aqui sou teu filho, nos teus braços gentis quero estar,
A           B7            E    C#m        A        B7      A   E
Mãe, eis-me aqui sou teu filho,    minha vida vou te entregar.

(intro 2x) E  E4  E


Fonte:cifraclub.com.br
 e o Vídeo foi produzido por Maria Marta com imagens de arquivo pessoal e da internet.