domingo, 31 de julho de 2016
sexta-feira, 15 de julho de 2016
VIRGEM SANTÍSSIMA
Transbordante da mais pura alegria pela
presença em vós do Verbo Divino Encarnado, fazei com que, imitando na terra a
pureza de vossa Anunciação, a caridade de vossa Visitação a Santa Isabel, amor
terno a Jesus recém-nascido no presépio, a humilde obediência com a qual vos
apresentastes no templo de Jerusalém, possamos merecer também, como vós, pela
solicitude constante em buscarmos a Jesus durante a vida, encontrá-lo
definitivamente no templo de Sua Glória Eterna.
Fonte: Disponível em: http://virgemimaculada.wordpress.com
sábado, 25 de junho de 2016
sábado, 11 de junho de 2016
QUEM É ESSA MULHER...
Ela é Maria, a mãe de Jesus, verdadeiro Deus e Verdadeiro homem.
É nossa intercessora, rainha e mãe nossa.
sábado, 21 de maio de 2016
CARTA ENCÍCLICA SOBRE O ROSÁRIO DE NOSSA SENHORA
PAPA LEÃO XIII - CARTA ENCÍCLICA SUPERIORE ANNO DE SUA SANTIDADE PAPA LEÃO XIII A TODOS OS NOSSOS VENERÁVEIS IRMÃOS, OS PATRIARCAS, PRIMAZES, ARCEBISPOS E BISPOS DO ORBE CATÓLICO, EM GRAÇA E COMUNHÃO COM A SÉ APOSTÓLICA SOBRE O ROSÁRIO DE NOSSA SENHORA
Veneráveis Irmãos, Saúde e Bênção Apostólica.
Correspondência ao convite do ano
passado
1. O ano passado, como todos
sabem, com uma Encíclica Nossa dispusemos que durante todo o mês de Outubro, em
toda parte do orbe católico, se honrasse por meio do santo Rosário a grande Mãe
de Deus, para obter dela um eficaz socorro nas angústias de que a Igreja estava
oprimida. Com isso secundamos uma inspiração Nossa, e seguimos o exemplo dos
Nossos Predecessores, os quais, nos tempos mais difíceis para a Igreja, tiveram
o costume de, com aumentado ardor de piedade, recorrer à Virgem augusta, e de
com fervorosa prece invocar-lhe o auxílio.
2. A solicitude e o consenso em
secundar a Nossa vontade foram tais por toda parte, que se tornou evidente o
quanto é intenso no povo cristão o espírito da religião e da piedade, e o
quanto é viva a confiança de todos no celeste auxílio de Maria Santíssima. Este
fervor em professar a própria piedade e a própria fé trouxe, certamente, um
grande conforto ao Nosso coração, oprimido por tantas preocupações graves e por
tantos males; antes, deu-nos força para suportar, se Deus assim quiser, males
ainda piores. De feito, enquanto o espírito de oração se derramar sobre a casa de
David e sobre os habitantes de Jerusalém, nutrimos segura esperança de que, um
dia, Deus se nos mostrará aplacado, e de que, movido a compaixão pela sorte da
sua Igreja, atenderá às orações elevadas pelos fiéis por meio daquela que Ele
quis administradora das graças celestes.
Cumpre preservar na oração
3. Portanto, visto ainda
subsistirem as causas que, como já dissemos, nos impeliram, o ano passado, a
estimular a piedade dos fiéis, julgamos nosso dever, Veneráveis Irmãos, exortar
de novo, este ano, o povo cristão a perseverar na devoção do santo Rosário,
para merecer a eficaz proteção da grande Mãe de Deus. Com efeito, se são tão
obstinados os propósitos dos inimigos do cristianismo, necessário se torna que
não menor seja a constância dos seus defensores; tanto mais quanto o auxilio
celeste e os benefícios de Deus frequentemente são fruto da nossa perseverança.
E aqui torna-se oportuno evocar o exemplo daquela ilustre heroína em quem era
figurada a Virgem Maria: Judite, que conteve a impaciência dos judeus, os
quais, na sua estultícia, queriam a seu arbítrio fixar a Deus o tempo para
socorrer a cidade. Assim também deve ter-se presente o exemplo dos Apóstolos,
que esperaram o prometido dom supremo do Espírito Santo unidos em perseverante
e unânime oração, com Maria Mãe de Jesus.
Motivos para recorrer a Maria
4. Efetivamente, agora também se
trata de um negócio bastante árduo e importante: isto é, de abater o poder do
antigo e astutíssimo inimigo, arrogante na sua força; de reivindicar a
liberdade para a Igreja e para o seu Chefe; de conservar e defender os
fundamentos sobre os quais deve apoiar-se a segurança e o bem-estar da
sociedade. Grande deve, por isto, ser, nestes tempos tão lacrimosos para a
Igreja, a solicitude de manter com piedosa diligência o santo costume do
Rosário; sobretudo porque esta oração é composta de modo a evocar
sucessivamente todos os mistérios da nossa salvação, e portanto particularmente
adequada para fomentar a piedade.
5. Depois, pelo que se refere à
Itália, há, neste momento, uma particular, uma extrema necessidade de implorar
o eficacíssimo socorro da Virgem, dado que não só está iminente, mas já
sobreveio uma inesperada calamidade. Queremos aludir à peste asiática que,
transpondo, por vontade de Deus os confins que a natureza parecia haver-lhe
fixado, invadiu os portos mais frequentados da costa francesa e, dali, as zonas
limítrofes da Itália.
6. Devemos, pois, buscar refúgio
em Maria, naquela a quem com razão a .Igreja chama Virgem salutífera,
auxiliadora, libertadora; para que ela queira trazer-nos benevolamente o
socorro invocado mediante a mais agradável das orações, e afastar de nós o
impuro contágio.
Disposições e indulgências para a recitação do Rosário
7. Por tal motivo, aproximando-se
o mês de Outubro, em que o orbe católico celebra a festa de Nossa Senhora do
Rosário, deliberamos renovar este ano todas as prescrições do ano passado.
8. Portanto, decretamos e
ordenamos que, a partir de primeiro de Outubro até 2 de Novembro seguinte, em
todas as igrejas paroquiais e nos oratórios públicos dedicados à Mãe de Deus,
ou mesmo nos outros, a juízo do Ordinário, sejam diariamente recitadas ao menos
cinco dezenas do Rosário, com as ladainhas. E, se o Rosário se recitar pela
manhã, celebre-se ao mesmo tempo a santa Missa; se, em vez disso, se recitar de
tarde, exponha-se o SS. Sacramento à adoração dos fiéis, e portanto dê-se aos
presentes a bênção. Além disso, é nosso desejo que, onde a isso se não opuserem
as leis civis, para incremento da piedade pública as Confrarias do santo
Rosário saiam pelas ruas em procissão solene.
9. Depois, a fim de que os
celestes tesouros da Igreja fiquem à disposição da piedade cristã, renovamos as
simples Indulgências já concedidas o ano passado. Isto é, a todos os fiéis que,
nos dias estabelecidos, participarem da pública recitação do Rosário e orarem
segundo a Nossa intenção, como também àqueles que, por legítimo impedimento, o
recitarem em particular, concedemos, para cada vez, a Indulgência de sete anos
e de sete quarentenas.
Além disto, concedemos a
Indulgência plenária aos que, em dito período, confessados e comungados,
recitarem, ao menos por dez dias, o Rosário do modo supra indicado, na igreja
ou, por justo motivo, em casa. Em terceiro lugar, concedemos também esse
pleníssimo perdão das culpas e remissão das penas a todos os que, no dia da
festa do Rosário, ou na oitava, com a alma purificada participarem do divino
Banquete, orando, em alguma igreja, a Deus e a sua Mãe Santíssima, segundo a
Nossa intenção.
10. Querendo, enfim, atender àqueles
que vivem no campo e que, durante o mês de Outubro, estão particularmente
empenhados no trabalho dos campos, consentimos que, a juízo dos Ordinários,
eles adiem para os meses seguintes, de Novembro e Dezembro, as piedosas
práticas supra estabelecidas, e que possam igualmente lucrar as Indulgências
anexas ao mês de Outubro.
As esperanças do Papa
11. Não duvidamos, Veneráveis
Irmãos, de que os Nossos cuidados não estejam em via de ser coroados de frutos
abundantes e opimos, mormente se Deus, com o dom das suas graças, fizer crescer
o que Nós plantamos e vós regastes. Por outro lado, estamos certo de que o povo
cristão prestará ouvido à autoridade Apostólica com o mesmo fervor de fé e de
piedade de que deu esplêndido testemunho no ano passado.
Assim, fazemos votos para que a
celeste Padroeira, invocada mediante a oração do Rosário, nos seja propícia e
nos obtenha que, eliminadas as divergências de opiniões, e estendida a religião
de Cristo a todas as partes da terra, a Igreja alcance a suspirada tranqüilidade.
Como penhor deste benefício, de todo coração concedemos a Bênção Apostólica a
vós, ao vosso clero e ao povo confiado ao vosso ministério.
Dado em Roma, junto a S. Pedro, a
30 de Agosto de 1884, sétimo ano do Nosso Pontificado. LEÃO PP. XIII
Fonte: Disponível em: http://www.vatican.va/holy_father/leo_xiii/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_30081884_superiore-anno_po.html
sábado, 23 de abril de 2016
A DORMIÇÃO DE MARIA
São João Damasceno - Homilia Sobre a Dormição da Santíssima
Mãe de Deus, a Bem Aventurada Virgem Maria
Quem ama ardentemente alguma coisa costuma trazer seu nome
nos lábios e nela pensar noite e dia. Não se me censure, pois, se pronuncio
este terceiro panegírico da Mãe de meu Deus, como oferenda em honra de sua
partida. Isso não será favor para ela mas servirá a mim mesmo e a vós, aqui
presentes - divina e santa assembleia - como um manjar salutar que, nesta noite
sagrada, satisfaça nosso gosto espiritual. Estamos sofrendo, como sabeis, de
penúria de alimentos. Assim, improviso a refeição; se não é suntuosa nem digna
daquilo que no-Ia inspira, possa ao menos acalmar-nos a fome. Sim, não é Maria
que precisa de elogios, nós é que precisamos de sua glória. Um ser glorificado,
que glória pode receber ainda? A fonte da luz, como será iluminada ainda?
É pois para nós mesmos que fazemos a coroa. "Vivo eu,
diz o Senhor, e glorificarei os que me glorificam". (2Sm 2, 30)
O vinho agrada sem dúvida, é deliciosa bebida, e o pão
alimento nutritivo: um alegra, o outro fortifica o coração do homem (Sl 104,
15). Mas que existe de mais suave do que a Mãe de meu Deus? Ela cativou meu
espírito, ela reina sobre minha palavra, dia e noite sua imagem me é presente.
Mãe do Verbo, dá-me de que falar! Filha de mãe estéril, torna fecundas as almas
estéreis! Eis aquela cuja festa celebramos hoje em sua santa e divina Assunção.
Acorrei, pois, e subamos a montanha mística. Ultrapassando
as imagens da vida presente e da matéria, penetrando na treva divina e
incompreensível, ingressando na luz de Deus, celebremos o seu infinito poder.
Aquele que, de sua transcendência super-essencial e imaterial, desceu ao seio
virgíneo para ser concebido e se encarnar, sem deixar o seio do Pai; aquele que
através da Paixão marchou voluntariamente para a morte, conquistando pela morte
a imortalidade e voltando ao Pai; como não pôde ele atrair ao Pai sua Mãe
segundo a carne? como não elevaria da terra ao céu aquela que fora um
verdadeiro céu sobre a terra?
Hoje a escada espiritual e viva, pela qual o Altíssimo
desceu, se fez visível e conversou entre os homens (Baruc 3, 38), ei-la que
sobe, pelos degraus da morte, da terra ao céu.
Hoje a mesa terrestre que, sem núpcias, trouxera o pão
celeste da vida e a brasa da divindade, foi levada da terra aos céus, e para a
Porta oriental, para a Porta de Deus, se ergueram as portas do céu.
Hoje, da Jerusalém terrestre, a Cidade viva de Deus foi
conduzida à Jerusalém do alto; aquela que concebera como seu primogênito e
unigênito o Primogênito de te da criatura e o Unigênito do Pai, vem habitar na
Igreja das primícias (Hb 12, 23); a arca do Senhor, viva e racional, é
transportada ao repouso de seu Filho (Sl 132, 8).
As portas do paraíso se abrem para acolher a terra portadora
de Deus, onde germinou a árvore da vida eterna, redentora da desobediência de
Eva e da morte infligida a Adão. É o Cristo, causa da vida universal, quem
recebe a gruta escondida, a montanha não trabalhada, donde se destacou, sem
intervenção humana, a pedra que enche a terra.
Aquela que foi o leito nupcial onde se deu a divina
encarnação do Verbo, veio repousar em túmulo glorioso, como em tálamo nupcial,
para de lá se elevar até a câmara das núpcias celestes, onde reina em plena luz
com seu Filho e seu Deus, deixando-nos também como lugar de núpcias seu túmulo
sobre a terra. Lugar de núpcias, esse túmulo? Sim, e o mais esplendoroso de
todos, a refulgir não por revérberos de ouro, de prata ou de gemas, porém pela
divina luz, irradiação de Espírito Santo. Proporciona, não uma união conjugal
aos esposes da terra, mas a vida santa às almas que se prendem pelos laços do
Espírito, proporciona uma condição junto de Deus, melhor e mais suave que outra
qualquer.
Seu túmulo é mais gracioso do que o Éden: neste, sem
querermos repetir tudo o que lá se passou, houve a sedução do inimigo, sua
mentira apresentada como conselho amigo, a fraqueza de Eva, sua credulidade, o
engodo - doce e amargo - ao qual seu espírito se deixou prender e pelo qual em
seguida aliciou o marido; a desobediência, a expulsão, a morte, mas - para não
trazermos com tais lembranças assunto de tristeza à nossa festa - houve o
túmulo que elevou ao céu o corpo de um mortal, ao contrário daquele primeiro
jardim, que derrubou do céu nosso primeiro pai. Pois não foi ali que o homem,
feito à imagem divina, ouviu a sentença: "tu és terra e em terra te hás de
tornar"? (Gn 3, 19). O túmulo de Maria, mais precioso que o antigo
tabernáculo, encerrou o candelabro espiritual e vivo, brilhante de divina luz,
a mesa portadora de vida, que recebeu, não os pães da proposição, mas o pão
celeste, não o fogo material mas o fogo imaterial da divindade. Esse túmulo é
mais feliz que a arca mosaica, pois teve por partilha a verdade, já não as
sombras e as figuras; acolheu a urna áurea do maná celeste, a mesa viva do
Verbo encarnado por obra do Espírito Santo, dedo onipotente de Deus, Verbo
subsistente; acolheu o altar dos perfumes, a brasa divina que aromatizou toda a
Criação.
Fujam, portanto os demônios, gemam os míseros Nestorianos -
como outrora os egípcios - com seu chefe, o novo faraó, o cruel flagelo, o
tirano, pois foram engolidos pelo abismo da blasfêmia. Nós, porém, salvos, que
atravessamos a pé enxuto o mar da impiedade, cantemos à Mãe de Deus o canto do
Êxodo. Miriam, que é a Igreja, tome nas mãos o tamborim e entoe o hino de
festa; saiam as jovens do Israel espiritual com tamborins e coros (Ex 15, 20),
exultando de alegria! Que os reis da terra, os juízes e os príncipes, os jovens
e as virgens, os velhos e as crianças, celebrem a Mãe de Deus! Que reuniões e
discursos de toda espécie, raças e povos na diversidade de suas línguas,
componham um cântico novo! Que o ar ressoe de flautas e trombetas espirituais,
inaugurando com brilho de fogos o dia da salvação! Alegrai-vos, ó céus, e vós,
nuvens, fazei chover a alegria! Saltai, novilhos do rebanho eleito, apóstolos
divinos que, como montanhas altas e sublimes, aspirais às mais altas
contemplações; e vós, também, ó cordeiros de Deus, povo santo, filhos da
Igreja, que pelo desejo vos alçais como colinas até as altas montanhas!
Mas então? Morreu a fonte da vida, a Mãe de meu Senhor? Sim,
era preciso que o ser formado da terra à terra voltasse, para dali subir ao
céu, recebendo o dom da vida perfeita e pura a partir da terra, após ter-lhe
entregue seu corpo. Era preciso que, como o ouro no crisol, a carne rejeitasse
o peso da mortalidade e se tornasse, pela morte, incorruptível, pura, e assim
ressuscitasse do túmulo.
Começa hoje para Maria uma segunda existência, recebida
daquele que a fez nascer para a primeira, como também ela mesma dera uma
segunda existência - a vida corpórea - àquele, cuja primeira existência, a
eterna, não teve começo no tempo, embora principiada no Pai como em sua divina
causa.
Alegra-te, Sião, montanha divina e santa, onde habitou a
outra montanha divina, a montanha vivente, a nova Betel, ungida na pedra, a
natureza humana ungida pela divindade. De ti, como de um jardim de oliveiras, e
Filho se elevou às celestes alturas. Que uma nuvem se componha, universal e
cósmica, e que as asas dos ventos tragam os apóstolos dos confins da terra até
Sião! Quem são aqueles que, como nuvens e águias, voam para o corpo - fonte de
toda ressurreição, a fim de cultuar a Mãe de Deus? Quem é a que sobe, na flor
de sua alvura, toda bela, brilhante como o sol? Que cantem as cítaras do
Espírito, isto é, as línguas dos apóstolos! Que ressoem os címbalos, isto é, os
arautos eminentes da palavra de Deus! Que esse vaso de eleição, Hieroteu 2,
santificado pelo Espírito Santo e pela união divina capacitado a sofrer as
realidades divinas, seja arrebatado do corpo, e em transportes de fervor entoe
seus hinos! Que todas as nações aplaudam e celebrem a Mãe de Deus! Que os anjos
prestem culto ao corpo mortal!
Filhas de Jerusalém, feitas cortejo da Rainha, e virgens suas
companheiras, ide com ela até o Esposo, levai-a à direita do Senhor! Desce, ó
Soberano, vem pagar à tua Mãe a dívida que ela merece por te haver nutrido!
Abre tuas mãos divinas e acolhe a alma de tua mãe, tu que sobre a cruz
entregaste o espírito às mãos do Pai! Dirige-lhe um suave apelo: vem, ó
formosa, ó bem-amada, mais resplandecente pela virgindade do que o sol, tu me
partilhaste teus bens, vem agora gozar junto de mim o que te pertence!
Aproxima-te, ó Mãe, de teu Filhe, aproxima-te e participa do
poder régio daquele que, nascido de ti, contigo viveu na pobreza! Ascende, ó
Soberana, ascende! Já não vale a ordem dada a Moisés: "Sobe e
morre..." (Dn 31, 48) Morre, sim, mas eleva-te pela própria morte! Entrega
tua alma às mãos de teu Filho e devolve à terra o que é da terra, pois mesmo
isso será carregado por ti. Erguei vossos olhos, Povo de Deus, alçai vosso
olhar! Eis em Sião a arca do Senhor Deus dos exércitos, à qual vieram
pessoalmente prestar assistência os apóstolos, tributando seu derradeiro culto
ao corpo que foi princípio de vida e receptáculo de Deus. Imaterialmente e
invisivelmente os anjos o cercam com respeito, como servidores da Mãe de seu Senhor.
O próprio Senhor lá está onipresente, ele que tudo enche e abraça, que na
verdade não está em lugar algum porque nele tudo está como na causa que tudo
criou e tudo encerra.
Eis a Virgem, filha de Adão e Mãe de Deus: por causa de Adão
entrega seu corpo à terra, mas por causa de seu Filho eleva a alma aos
tabernáculos celestes! Santificada seja a Cidade santa, que acolhe mais essa
bênção eterna! Que os anjos precedam a passagem da divina morada e preparem seu
túmulo, que o fulgor do Espírito a decore! Preparai aromas para embalsamar o
corpo imaculado e repleto de delicioso perfume! Desça uma onda pura a fim de
haurir a bênção da fonte imaculada da bênção! Alegre-se a terra de receber o
corpo e exulte o espaço pela ascensão do espírito! Soprem as brisas, suaves
como o orvalho e cheias de graça! Que toda a criação celebre a subida da Mãe de
Deus: os grupos de jovens em sua alegria, a boca dos oradores em seus
panegíricos, o coração dos sábios em suas dissertações sobre essa maravilha, os
velhos de veneráveis cãs em suas contemplações. Que todas as criaturas se
associem nessa homenagem, que ainda assim não seria suficiente. Todos, pois,
deixemos em espírito este mundo com aquela que dele parte. Sim, todos, pelo
fervor do coração, desçamos com a que desce à sepultura e ali nos coloquemos.
Cantemos hinos sacros e nossas melodias se inspirem nas palavras: "Ave,
cheia de graça, o Senhor é contigo!" Permanece na alegria, tu que foste
predestinada a ser Mãe de Deus. Permanece na alegria, tu que foste eleita antes
dos séculos por um desígnio de Deus, germe divino da terra, habitação do fogo
celeste, obra-prima do Espírito Santo, fonte de água viva, paraíso da árvore da
vida, ramo vivo que portas o divino fruto, donde fluem o néctar e a ambrosia,
rio de aromas do Espírito, terra produtora da divina espiga, rosa
resplandecente da virgindade, donde emana o perfume da graça, lírio da veste
real, ovelha que geras o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo,
instrumento de nossa salvação, superior às potências angélicas, serva e Mãe!
Vinde, enfileiremo-nos em torno ao túmulo imaculado para
dali sorvermos a divina graça! Vinde, abracemos em espírito o corpo virginal.
Entremos no sepulcro e morramos nele, rejeitando as paixões da carne, vivendo
uma vida sem concupiscência e sem mácula. Escutemos os hinos divinos, cantados
imaterialmente pelos anjos. Entremos para adorar, aprendamos a conhecer o
mistério inaudito: como esse corpo foi elevado às alturas, arrebatado ao céu,
como a Virgem foi posta junto de seu Filho acima dos coros angélicos, de sorte
que nada se interpusesse entre Mãe e Filho.
Tal é, depois de outros dois, o terceiro discurso que compus
acerca de tua partida, ó Mãe de Deus, em honra e amor da Trindade, cuja
cooperadora foste, por benevolência do Pai e por virtude do Espírito, quando
recebeste o Verbo sem princípio, a Sabedoria onipotente, a Força de Deus. Aceita,
pois, minha boa vontade, maior do que minha capacidade, e dá-me a salvação, a
libertação das paixões da alma, o alívio das doenças dos corpos, a salvação das
dificuldades, a vida de paz, a luz do Espírito. Inflama nosso amor por teu
Filho, regula nossa conduta sobre o que lhe apraz, a fim de que, na posse da
bem-aventurança do alto, e vendo-te refulgir com a glória de teu Filho, façamos
ressoar hinos sagrados, na eterna alegria, na assembleia dos que celebram, em
festa digna do Espírito, aquele que por ti opera nossa salvação, o Cristo Filho
de Deus e nosso Deus, a quem pertence a glória e o poder, com o Pai sem
princípio e o Espírito Santo e vivificador, agora e sempre pelos séculos. Amém.
NOTAS:
1 - O autor passa a aludir aqui a tradição, segundo a qual
Nossa Senhora, ao morrer em Jerusalém, teve à sua volta os apóstolos.
2. O autor pensa em Hieroteu, apresentado como mestre de
Dionísio em seu livro "Os Nomes Divinos".
Gomes, Folch. "Antologia dos Santos Padres". Ed.
Paulinas, 1979.
Fonte: disponível
em http://www.ecclesia.com.br
sábado, 9 de abril de 2016
EXALTAÇÃO À SANTÍSSIMA VIRGEM- IRMÃ KELLY PATRÍCIA
\
O amor de Jesus Cristo e pelo qual Maria foi fiel até o fim, triunfa apesar de toda dor, amargura
e sofrimento. A ressurreição que vence a morte coroa Maria como Rainha.
Mas ela continua como um modelo diferencial de cristão, que não se curva perante
a perseguição, mas vive sua fé confiantemente, e por isso é vitoriosa no Cristo Jesus
seu filho, é rainha cheia de virtudes e graças.
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